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Intervenção era uma tendência, diz Gabrielli

Para o ex-presidente da Petrobrás, medida ignora o engessamento causado pela política de preços, que inviabiliza investimentos

IRANY TEREZA / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h07

Desprovido do cargo que lhe restringia opinar sobre políticas adotadas por governos ou outras empresas, o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli declarou que a intervenção do governo argentino no setor de petróleo era uma tendência.

Procurado pelo Estado, o hoje secretário de Planejamento do governo da Bahia comentou que a medida anunciada pela presidente Cristina Kirchner ignora a origem do problema: o engessamento da política de preços de petróleo, gás e derivados que, em determinadas situações, inviabiliza investimentos das empresas.

"Não foi surpresa. Isso era uma tendência da política do governo argentino", disse Gabrielli. Frisando que estava falando "como cidadão", ele se recusou a falar sobre o caso da Petrobrás, também alvo da política argentina, com a cassação de uma concessão na província de Neuquén, sob o argumento de investimento insuficiente.

Mas, apesar da gravidade da situação no país vizinho, ele disse não acreditar num colapso das relações entre Espanha e Argentina. "O governo argentino estava sinalizando de forma inequívoca que estava querendo uma intervenção mais direta (no setor de petróleo), sem compreender um pouco a origem do problema que está vivendo, que é essencialmente de preços", disse Gabrielli.

"Um sistema que inibe a possibilidade de reajustar preços cria um problema para o investidor na área de petróleo e gás. O grande problema na Argentina hoje é esse." Gabrielli reconheceu que não está havendo investimento adequado do setor na Argentina, mas ressaltou: "Não porque as empresas estejam querendo boicotar o governo".

A questão, segundo ele, é que o pesado investimento em petróleo "fica difícil de ser justificável e sustentável" diante da política de preços interna na Argentina. "Falo da política de preços em geral, porque tem todo um problema de inflação na Argentina que é grave, e da política de preços específica, que é um problema para gás, petróleo e derivados", diz Gabrielli.

Para ele, essa situação reflete a tradição histórica argentina de ser um país exportador de energia, tanto petróleo quanto gás e derivados. "E que se torna crescentemente um país com dificuldade de atender o mercado interno", comentou.

Gabrielli não aposta numa debandada de investimentos da Argentina, embora reconheça que medidas como a adotada esta semana "criam dificuldades para novas áreas crescerem, para se tornar um lugar atraente para novos investidores".

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