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Intervenção na Previ será "breve", diz ministro

O ministro da Previdência Social, José Cechin, afirmou que a intervenção do Ministério na Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, "será breve". Segundo ele, antes do prazo de 60 dias, a intervenção "estará levantada". Cechin disse, também, que o interventor, Carlos Eduardo Esteves Lima, tem plenos poderes para fazer a gestão dos recursos da Previ, e que ele já se cercou de um comitê técnico para assessorá-lo.Cechin assegurou que as decisões sobre os recursos da Previ não estão paradas. Ele ressaltou, no entanto, que a recomendação que deu ao interventor foi de que aja com prudência, para minimizar os riscos dos investimentos. Ele disse que a efetivação de investimentos novos só será feita com sgurança. Cechin negou informações veiculadas na imprensa, segundo as quais a Previ já teria perdido R$ 400 milhões com a intervenção. "Não confirmo", disse. José Cechin também rebateu as críticas contra a medida. Ele negou que a decisão tenha sido tomada por motivação política, ou para dificultar investigações no fundo de previdência dos funcionários do BB. "Desconheço motivação política neste ato", disse, argumentando que a intervenção se deu em virtude do descumprimento da legislação que rege a atuação dos fundos de pensão. "Leis são feitas para ser cumpridas", sustentou, afirmando que a intervenção foi respaldada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que não teme eventuais ações de improbidade administrativa que possam ser propostas contra ele por causa da intervenção. "Estou absolutamente tranqüilo", disse. "É um ato respaldado em lei e pelo STJ. Essa ação (de improbidade adminstrativa) não prosperará". Cechin lembrou que a Previ teve 366 dias para negociar com o governo a adequação de seu estatuto à legislação. "O prazo foi dado. Houve o impasse que se perpetuou", justificou. O ministro negou informações segundo as quais o interventor, Carlos Eduardo Esteves Lima, teria sido indicado pelo presidente do Banco Opportunity, Daniel Dantas. Segundo ele, a indicação do interventor não teve participação de pessoas de fora do governo e que nunca conversou com Daniel Dantas.O ministro da Previdência Social também afirmou que o pré-candidato do PT à sucessão presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva, "foi infeliz" ao lançar a suspeita de que a intervenção do governo na Previ teria sido feita por razões eleitoreiras. "Nunca dei razão para suspeitas desse tipo", afirmou, acrescentando que não tem ligações com partidos políticos, não é candidato e não tem intenção de sê-lo. Ele reconheceu que a intervenção "é um ato de violência" e comparou a medida a uma operação no coração. "É forte. Não temos nenhum prazer em fazer intervenções. Fomos compelidos a fazer isto", afirmou. Cechin disse, também, que os arquivos da Previ não foram apagados, como chegou a ser veiculado na imprensa. Segundo ele, houve cancelamento de senhas "de pessoas que deixaram de ter autoridade na Previ". Mas "nenhum arquivo foi deletado", assegurou. Ele esclareceu que todos os arquivos da Previ têm sistema de segurança e proteção. Também criticou boatos segundo os quais a intervenção vai gerar perdas no valor das aposentadorias dos participantes do fundo, classificando esse tipo de afirmação de "terrorismo". "São afirmações desse tipo que podem afetar a imagem do fundo de pensão", afirmou.

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