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Intervenção na YPF é questão soberana argentina, diz Lobão

Ministro descarta reduzir presença da Petrobrás no país e não acredita que ativos da estatal brasileira sejam nacionalizados

EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA, SABRINA VALLE / RIO , O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2012 | 03h05

A decisão da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, de intervir na petroleira YPF e expropriar 51% de participação da espanhola Repsol na companhia, recebeu ontem apoio do governo brasileiro.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que se reúne na sexta-feira em Brasília com o ministro de Planejamento argentino, Julio De Vido, afirmou se tratar de uma questão de soberania e descartou reduzir a presença da Petrobrás no país vizinho.

Lobão disse ainda não acreditar que os ativos da brasileira na Argentina também possam ser nacionalizados. "Reconheço que os países têm a sua soberania e podem decidir do modo que bem entenderem", disse Lobão. "Não creio que haja qualquer problema fundamental com a Petrobrás na Argentina. Não vejo nenhuma motivação especial para isso, mas, se essa for uma política do governo da Argentina, nós não teremos também nada a reclamar."

Ontem o governo da República Bolivariana da Venezuela, em nota oficial, respaldou a decisão da Argentina de reestatizar a petroleira YPF. O governo de Hugo Chávez esclareceu, porém, que a nacionalização do petróleo do Orinoco não significou a expulsão ou o rechaço ao investimento estrangeiro no país, já que 11 das 13 empresas privadas estrangeiras que mantinham investimentos na região hoje são sócias da estatal PDVSA.

Em Montevidéu, o presidente uruguaio José Mujica também deu respaldo à medida. Porém, o governo uruguaio quer saber do governo argentino se a expropriação da YPF terá efeitos no Uruguai, já que uma subsidiária da empresa expropriada, a Astra, estava encarregada da modernização da refinaria da estatal uruguaia Ancap, em Montevidéu.

Petrobrás. A presidente da Petrobrás, Graça Foster, que também participará dos encontros em Brasília, informou ter agendado várias reuniões internas para avaliar o quadro no país vizinho. Em evento do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), no Rio, a executiva evitou avaliações sobre a estratégia adotada pelo governo de Cristina Kirchner.

No entanto, lembrou ter sido surpreendida, no início do mês, com o cancelamento de uma concessão da estatal na província de Neuquén. Desde então, não recebeu novos contatos de Buenos Aires, mas, segundo Graça Foster, isso não terá impacto para a companhia que, segundo ela, tem como "prioridade absoluta" os investimentos em exploração e produção. "Fomos surpreendidos. (Havíamos) concluído o plano exploratório mínimo na íntegra e anunciado que faríamos a perfuração de seis poços no segundo semestre."

Graça disse desconhecer a pauta do encontro que terá em Brasília, segundo ela já marcado desde março e desvinculado do evento desta semana. Mas afirmou que aproveitará a oportunidade para esclarecer o porquê do cancelamento. "A reunião será extremamente importante para esclarecimentos. A Petrobrás vai estar pronta para responder a todas as perguntas."

Uma fonte em Buenos Aires informou que os argentinos devem tentar negociar uma parceria com a Petrobrás para exploração em águas profundas. Estariam convencidos de que há petróleo em suas bacias marítimas, mas precisariam do know how da Petrobrás para explorá-las.

Graça também comentou a pauta do encontro na véspera com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Disse que teve uma conversa puramente "técnica" sobre o vazamento da Chevron em novembro no Campo de Frade. Mas lembrou que é a Chevron, operadora, que tem responsabilidade na divulgação de informações.

E também respondeu à oferta de Hillary sobre parcerias para explorar o pré-sal. Graça disse que as empresas americanas estão convidadas a ser fornecedoras e informou ter esclarecido sobre a política de conteúdo local do governo. "O que disse a ela foi que não existe 100% de conteúdo local no Brasil."

Leilão. Graça não se mostrou otimista quanto à realização de novo leilão de áreas exploratórias ainda este ano. De fato, algumas horas depois, em Brasília, o ministro Edison Lobão anunciou que a nova rodada deve ficar para o início de 2013. Com isso, o Brasil completará quatro anos seguidos sem ofertas de blocos. / COLABOROU A.P.

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