Intervenção não contém pessimismo do mercado

O Banco Central voltou a intervir no mercado vendendo títulos cambiais. Foi o décimo leilão nos últimos quatro pregões. Ainda assim, as cotações do comercial vêm se sustentando acima de R$ 2,70. As turbulências no cenário internacional no médio prazo predominam, mantendo os investidores pessimistas. A Bolsa de Valores de São Paulo também continua em queda, com forte desvalorização dos papéis, especialmente os de baixa liqüidez (volume de negócios). Mesmo assim, não aparecem compradores.A razão é a instabilidade internacional causada pela provável guerra dos Estados Unidos com o Taleban, grupo fundamentalista que governa o Afeganistão. A boa notícia é que o conflito está cada vez mais restrito a grupos terroristas e suas bases de apoio. Afora o Taleban, todos os governos consultados alinharam-se aos esforços norte-americanos. Mesmo assim, confrontos dessa magnitude trazem uma série de riscos, e custos assombrosos. O Congresso dos EUA já fala preliminarmente em gastos de US$ 100 bilhões. Além disso, a economia sofre forte retração. O presidente do Fed, Banco Central norte-americano, Alan Greenspan, defendeu hoje que o governo liberasse mais US$ 100 bilhões a título de estímulo econômico. E o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou hoje relatório em que reduziu as previsões de crescimento econômico nos Estados Unidos, e, conseqüentemente, no resto do mundo.Para o Brasil, a expectativa é de tempos difíceis. As exportações estão crescendo e o governo já espera superávit acima de US$ 2 bilhões em 2001 e US$ 5 bilhões em 2002. Em parte, o resultado deve-se à alta do dólar, mas a desaceleração da economia também ajuda a frear as importações. Analistas confirmam os números do governo, mas alertam que o preço a ser pago será crescimento econômico menor.Porém, esses números, mesmo que positivos, ainda são insuficientes para as necessidades para cobrir as contas com o exterior. O mercado avalia que o governo não deverá ter problemas para financiar suas despesas, mas empresas com dívidas no exterior poderão enfrentar dificuldades em honrar seus compromissos com o agravamento da desvalorização cambial. De qualquer forma, as previsões são de continuação da pressão no câmbio e nos juros, além do desânimo dos investidores com o mercado acionário.O principal alento é a queda nos preços do petróleo. O impacto na indústria aeronáutica e a desaceleração econômica mundial fez com que a demanda pelo produto e seus derivados caísse muito. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que se reuniu hoje em sua sede em Viena, pretende manter, por ora, as atuais cotas de produção. Os países membros gostariam de sustentar a faixa de preços do barril, definida entre US$ 22 e US$ 28, mas a tarefa não será simples, dada a forte queda na demanda e o cenário recessivo. Ainda assim, hoje, em Londres, os contratos de petróleo cru do tipo Brent com vencimento em novembro foram negociados US$ 23,00 por barril, uma alta de 2,77% em relação ao fechamento de ontem.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,7380, com alta de 0,85%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 24,700% ao ano, frente a 24,520% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 2,19%.O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em alta de 0,30%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,07%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 2,50%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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