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Intervenção no câmbio pode até aumentar volatilidade, aponta BIS

Tendência de longo prazo mantém-se inalterada, mostra estudo do Banco de Compensações Internacionais

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

12 de junho de 2013 | 16h52

LONDRES - Ao contrário do que defendem muitos economistas, as intervenções realizadas por bancos centrais no mercado de câmbio têm pouca influência sobre as previsões para as cotações no longo prazo e, pior, podem até ajudar a aumentar a volatilidade.

A avaliação está num estudo produzido pelo economista sênior do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), Ken Miyajima. O estudo avaliou o comportamento do mercado de moedas em quatro países emergentes: Brasil, Coreia do Sul, Malásia e Peru - todos usam algum tipo de intervenção no mercado de câmbio.

O estudo avaliou o impacto das intervenções no câmbio realizadas pelos quatro países em dois períodos: entre junho de 2004 e junho de 2008 e entre abril de 2009 e agosto de 2012. No levantamento, Miyajima comparou o volume e o sentido das intervenções (compra ou venda) com a oscilação da moeda no mercado à vista e o desvio da tendência observada no período anterior. No caso brasileiro, a pesquisa levou em conta as intervenções realizadas no mercado à vista, futuro e também as operações de swap cambial.

Após comparar os dois períodos - antes e depois do estouro da crise financeira de 2008 - nos quatro países, o economista diz que "as intervenções realizadas no mercado cambial parecem ter pouca influência sistêmica sobre as expectativas das taxas nominais de câmbio no sentido pretendido pelos bancos centrais".

Uma das conclusões do estudo é que, ainda que as cotações possam reagir no curtíssimo prazo, os BCs não conseguem alterar a tendência de longo prazo. "A intervenção pode ter o impacto desejado sobre a taxa de câmbio à vista. No entanto, na medida em que as expectativas para o câmbio no curto prazo permanecem pouco alteradas, o esforço para limitar o movimento da taxa pode apenas adiar a apreciação ou depreciação", diz o estudo. "As compras de dólares para conter a apreciação, por exemplo, geram expectativa de uma maior valorização no futuro".

Além de não conseguir ancorar as expectativas de longo prazo, a ação pode até trazer efeitos indesejados, como mais volatilidade. "As intervenções dos BCs para conter movimentos da taxa ou a volatilidade podem gerar previsões para o câmbio no sentido oposto ao pretendido", diz o estudo. Ou seja, às vezes o mercado acaba reagindo no sentido contrário ao desejado pela autoridade monetária. A constatação foi feita com um modelo matemático criado pelo economista que gerou um coeficiente de intervenção negativo em algumas situações.

Uma das explicações para esse resultado em tendência contrária do desejado pode ser a reação dos investidores às intervenções. Quando o BC, por exemplo, compra dólares, a autoridade monetária aumenta a demanda e, assim, ajuda a manter o preço da moeda. Nessa situação, estrangeiros podem ingressar com recursos no mercado porque há a perspectiva de que aquela cotação será garantida pelo BC, mostra o estudo de Miyajima.

Outro possível motivo para a reação contrária pode ser a melhora das condições macroeconômicas. O economista do BIS cita como exemplo que a compra de dólares realizada pelos BCs aumenta o nível das reservas internacionais. "Isso melhora a qualidade percebida do crédito soberano do país", diz.

No estudo, o economista cita como exemplo que, no período pesquisado, o Brasil chegou a comprar em um mês dólares em valor equivalente a 25,4% do total das reservas. Por outro lado, em períodos de saída de recursos, o BC brasileiro chegou a oferecer ao mercado dólares em montante correspondente a 1,6% do total das reservas.

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