Intervenções do governo explicam a elevada dispersão nas projeções

Para o IBC-Br, divulgado ontem, as estimativas do mercado variavam entre queda de 0,10% e alta de 1,60%

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

17 de maio de 2013 | 18h09

SÃO PAULO - A elevada dispersão no conjunto das projeções do mercado para indicadores macroeconômicos coletados pelo AE Projeções, serviço de projeções da Agência Estado, é fruto da volatilidade que as frequentes intervenções do governo na economia têm inserido nas séries históricas dos índices. É o que disseram ao Broadcast os economistas seniores do Espírito Santo Investment Bank (Besi Brasil), Flávio Serrano, e do Banco Cooperativo Sicredi, Pedro Ramos, ao serem indagados sobre os motivos que teriam levado as expectativas em relação ao Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) de março, divulgado ontem, a oscilarem num intervalo entre queda de 0,10% e expansão de 1,60%.

O desvio-padrão das expectativas de um grupo de 27 instituições financeiras em relação ao IBC-Br em março na comparação com fevereiro atingiu 0,44 ponto porcentual em torno da média, que foi de 0,77%. Trata-se de uma medida de dispersão multo alta, segundo os dois economistas. O resultado disso é a distorção das expectativas e a incerteza do investidor em relação à economia.

Serrano lembra que a elevada dispersão das projeções em torno de suas respectivas médias tem sido verificada em várias tomadas de taxas no mercado. Ele chamou a atenção para o nível de dispersão entre as expectativas do mercado para as vendas restritas do varejo na comparação de março com fevereiro. O intervalo de um total de 40 previsões foi de uma queda de 1,50% a uma alta de 1,20%, com um desvio-padrão de 0,60 ponto porcentual.

Ramos acredita que as dispersões deverão continuar ao sabor das intervenções do governo na economia, que deverão continuar. O problema ocorre, de acordo com os dois economistas, porque as instituições, do ponto de vista quantitativo, lidam com modelos econométricos feitos para trabalhar com "situações normais".

"Mas o excesso de estímulos econômicos (como os concedidos pelo governo) acaba inserindo nos modelos variáveis não observáveis como taxa de juros neutra e a Nairu (emprego), o que gera na economia projeções de crescimento distintos", avalia Ramos.  Os juros neutros e a Nairu (sigla em inglês para Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment) são taxas que não aceleram a inflação. São taxas estimadas de equilíbrio entre crescimento e inflação que, teoricamente, indicam até onde medidas governamentais de estimulo à economia podem ser introduzidas sem gerar aumentos de preços.

As muitas interferências do governo na economia, de acordo com Serrano, mais que provocar rupturas e distorções bruscas nas séries históricas dos indicadores e tirar dos modelos a capacidade de expurgar as discrepâncias, anuviam a visão dos investidores em relação ao futuro da economia. "Talvez seja por isso que os investimentos, de modo geral, não crescem", sugere o economista do Besi.

"Numa hora o governo reduz IPI, na outra hora aumenta, quando menos se espera adia reajustes de passagens de ônibus, mexe nas regras cambiais, faz contabilidade criativas, cria meta fiscal e depois mecanismos de abatimentos muito grandes. Tudo isso leva o investidor a fugir", afirma o economista do Sicredi.

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