Invasão ao Iraque pode elevar preço do petróleo para US$ 100

Caso isso ocorra, especialistas acreditam que o preço do barril pode ultrapassar este teto e não parar de subir

Kelly Lima, da Agência Estado,

19 de outubro de 2007 | 19h21

Uma eventual invasão do Norte do Iraque pela Turquia pode acelerar ainda mais as cotações internacionais do petróleo, e levar o preço do barril a bater na casa dos US$ 100, segundo avaliam especialistas. Nesta sexta-feira, 19, a cotação fechou em US$ 88,60, com queda de 0,97% em relação ao dia anterior. "Se a invasão ocorrer, o mínimo que pode acontecer é a suspensão da produção de cerca de 2 milhões de barris diários naquela região. Isso é muito, ante os estoques cada vez mais apertados com a crescente demanda mundial de combustível", estima o professor do Instituto de Economia da UFRJ, Edmar de Almeida, um dos especialistas que apostam no rompimento da barreira dos US$ 100.   Mesmo que atinja este valor, impensável há cerca de três anos, quando o pico de US$ 60 parecia um teto muito distante, o preço do petróleo pode não parar de subir. Os analistas avaliam que hoje já não há mais um limite para a fixação de um teto e qualquer projeção é mera especulação.   As análises estão baseadas principalmente no fato de que a escalada estratosférica do preço da commodity nos últimos dois anos ainda não foi suficiente para mexer decisivamente com os índices de inflação e, portanto, incapaz de provocar abalos sísmicos no nos fundamentos que regem o crescimento econômico mundial.     "A principal diferença entre o que vemos hoje e o na década de 70 e 80, quando houve as duas crises mundiais do petróleo, é que naquela época o preço do barril contaminou a economia de tal forma que os bancos centrais elevaram seus juros, o ritmo de crescimento econômico começou a cair, a inflação subiu e a demanda pelo produto começou a despencar", avaliou Almeida.   A demanda atual, lembrou o professor, não é mais puxada pelos Estados Unidos, mas sim diretamente pelos países em desenvolvimento, a China e a Índia, que elevam constantemente seu consumo de combustível mundial.   O especialista em mercado internacional do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), Eraldo Porto, acrescentou que hoje as perspectivas de conflito Turquia/Iraque é que estão ditando a escalada de preços. "Quando o fato acontece realmente acaba com o desespero e o mercado despenca", disse, lembrando que isso só poderia ocorrer "se os Estados Unidos não invadirem o Irã ou nem Israel".   "Mas é muito difícil acreditar que isso ocorra, porque os Estados Unidos já estão por demais endividados com as operações na guerra contra o Iraque. Este conflito já ficou caro demais e não seria justificável para a população americana um novo confronto. Isso dá uma maior tranqüilidade sobre o cenário geopolítico, que pode influenciar os preços no próximo ano", diz Porto.   As conseqüências para as relações políticas da região com um conflito deste porte, no entanto, podem gerar um efeito em cascata entre os demais países exportadores, avaliou Porto. "Há curdos hoje no Irã, Líbia, Síria e na Arábia, além do Iraque. Se eles resolverem se unir para expulsar os turcos, não temos sequer noção de onde isso vai parar e aí sim o mundo teria um sério problema com o qual lidar", avaliou.

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