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''Invasão'' movimenta o mercado de imóveis

Brasileiros já são o grupo estrangeiro mais importante para o mercado imobiliário do sul da Flórida

Mimi Whitefield, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

Não são apenas os hotéis e lojas que estão se beneficiando com a invasão brasileira no sul da Flórida. A venda de imóveis também está crescendo. "Hoje, eles são o grupo de estrangeiros mais importante para o mercado imobiliário do sul da Flórida", diz Edgardo Defortuna, presidente e diretor executivo da Fortune International, uma tradicional imobiliária da região.

A relação da empresa com o Brasil ficou tão forte que, no fim do ano passado, Defortuna abriu um escritório em São Paulo para vender apartamentos de luxo no condomínio Jade Ocean, que fica de frente para o mar. A brasileira Fabiana Pimenta, corretora da Fortune, atende conterrâneos, por telefone e e-mail, todos os dias. "Nunca vi nada assim, uma demanda tão grande."

Cerca de um quarto de todas as vendas novas da imobiliária é para clientes brasileiros. São basicamente dois grupos deles: compradores de alto padrão, que estão adquirindo imóveis para si mesmos, e investidores que tendem a gravitar em torno de propriedades nas áreas do centro de Miami e de Brickell, bairro que concentra condomínios de luxo e torres comerciais. No primeiro caso, a preferência é por propriedades à beira-mar em Miami Beach e na área de Sunny Isles Beach.

O interesse pelos imóveis também está tendo um impacto positivo em outros negócios. Cinco anos atrás, a Ornare, uma loja brasileira de cozinhas, banheiros e armários de alto padrão, abriu sua primeira sucursal americana em Miami. E, apesar de o mercado imobiliário local estar desaquecido, os negócios da Ornare não estão.

Seus armários com portas de couro e cozinhas sofisticadas encontraram um mercado pronto no sul da Flórida. Os brasileiros estão se tornando os maiores compradores. As vendas cresceram quase 40% no ano passado. "Agora, estamos planejando criar showrooms em outras cinco cidades americanas", diz Cláudio Faria, diretor da filial, que importa quase tudo de São Paulo. Em 2009, os brasileiros representavam apenas 5% das vendas locais da Ornare. Agora, são em torno de 25%.

Dona de uma empresa de design de interiores em Miami desde 1995, a brasileira Mirtha Arriaran diz que um de seus clientes abonados comprou recentemente um apartamento em Miami que é a sua 12.ª residência. "Eles são muito ricos", diz ela. "Não estão atrás de barganhas." Cerca de 85% dos clientes de Arriaran são brasileiros. E, hoje, a demanda está tão alta que ela parou de aceitar novos projetos.

Mas nem todos os compradores brasileiros de imóveis entram na categoria dos ultra ricos. "Agora, Brickell está muito acessível para a classe média", diz Cláudia Bacelar, brasileira que trabalha como corretora de imóveis na Esslinger-Wooten, em Coral Gables. Recentemente, ela vendeu vários apartamentos menores na região por pouco menos de US$ 200 mil.

Companhias aéreas. Há dois anos, a American Airlines servia apenas duas cidades brasileiras partindo de Miami: Rio e São Paulo. Agora já atende também Brasília, Belo Horizonte e Salvador com conexão para Recife. "Estar em seis cidades de um mesmo país é bastante para nós", diz Martha Pantin, porta-voz da companhia. "A American Airlines está muito otimista com o Brasil."

A TAM também acrescentou recentemente um serviço direto saindo do Aeroporto Internacional de Miami para Brasília e Belo Horizonte para complementar seus voos diários para São Paulo, Rio e Manaus.

Com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos no Brasil, a American Airlines está negociando a criação de voos extras para o País antes e depois dos eventos. A companhia acredita que Miami será um ponto de passagem para turistas de todo o mundo que se dirigem para os eventos esportivos. "A Copa", diz Martha Pantin, "também apresentará aos americanos novos destinos no Brasil."

Negócios

O Brasil figura como principal parceiro comercial do sul da Flórida. Nos primeiros 11 meses de 2010, o comércio entre as duas regiões atingiu US$ 14,4 bilhões - 27% a mais do que em 2009.

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