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Inventores encontram na web patrocínio para suas ''engenhocas''

Dois engenheiros de Nova Jersey levantaram US$ 177 mil para produzir uma cápsula que mantém o café quente

Jenna Wortham, The New York Times, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2011 | 00h00

Há muita gente querendo montar um site popular e se tornar o próximo Mark Zuckerberg. Mas alguns empreendedores da área de tecnologia têm um objetivo mais antiquado: preferem produzir alguma coisa que se possa segurar na mão. Coisas, mesmo.

Isso pode ser mais arriscado, porque fazer um produto físico exige mais investimento e o menor revés pode acabar com o lucro. Os inventores, no entanto, estão conseguindo contornar os obstáculos, usando a internet para encontrar patrocinadores e compradores e pensando em produtos mais simples.

Dave Petrillo e David Jackson, por exemplo, amigos e engenheiros mecânicos de Nova Jersey, queriam fazer pequenas cápsulas de aço para serem colocadas no café e mantê-lo quente por mais tempo. Passaram nove meses aperfeiçoando o projeto das cápsulas, em formato de grãos de café, que chamaram de Coffee Joulies. Com US$ 3 mil, fizeram 100 protótipos à mão.

Depois, como um número cada vez maior de investidores e designers que precisam de capital, recorreram ao site Kickstarter, uma empresa nova de Nova York, que recebe projetos de inventores e depois pede a terceiros que coloquem dinheiro no projeto. Petrillo e Jackson criaram então um vídeo de três minutos para demonstrar o produto e anunciaram que quem investisse US$ 40 receberia cinco Coffee Joulies. Esperavam levantar US$ 9,5 mil, mas em poucas semanas tinham US$ 177 mil.

Os designers Tom Gerhardt e Dan Provost apresentaram um acessório para o iPhone 4 chamado Glif, que funciona como suporte para o telefone. O projeto teve tanto sucesso na Kickstarter que os dois decidiram constituir uma empresa e usar o site para começar um segundo projeto, o Cosmonaut, uma caneta na forma de marcador para o iPad.

Mudança. Especialistas em tecnologia afirmam que o interesse em projetos como esses é típico de uma mudança cultural, na qual os consumidores procuram uma relação mais íntima com os criadores e querem conhecer as origens do objeto que compram.

"As pessoas querem conhecer mais sobre o lugar onde as suas coisas são feitas", afirmou Rachel Botsman, coautora do livro What"s Mine is Yours: The Rise of Collaborative Consumption (O que é meu é seu: a ascensão do consumo colaborativo).

Os fabricantes dos Coffee Joulies e do Cosmonaut têm ainda outra vantagem. Eles encontraram fábricas americanas castigadas pela crise, dispostas a trabalhar com produtores mais novos e a fazer produtos em séries menores. "Há uma mudança no campo da eletrônica de consumo", afirmou Ben Horowitz, um dos fundadores da empresa Andreessen Horowitz. "É possível constituir companhias de hardware totalmente terceirizadas."

O fato é que vários fatores têm facilitado o caminho dos jovens inventores, como software de baixo custo, serviços baratos de produção e redes sociais que tornam mais fácil despertar o interesse pelo produto.

Hoje, qualquer pessoa com um laptop e uma conexão com a internet pode criar uma companhia baseada na rede, diz Eric Von Hippel, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Especialistas como Hippel afirmam que essas estratégias não deverão substituir os modelos de produção maiores que dominam a indústria eletrônica e tecnológica. Mas, segundo ele, o clima é propício para um microboom de "mini-Edisons". / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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