Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Investidas de Agnelli para se aproximar do Planalto não surtem efeito

Segundo fontes, presidente da Vale tenta, em vão, ganhar a simpatia do governo Dilma Rousseff desde o início do ano

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, da Agência Estado,

15 de fevereiro de 2011 | 19h31

As investidas do presidente da Vale, Roger Agnelli, para ganhar a simpatia do governo Dilma Rousseff não surtiram efeito até agora, dizem auxiliares da presidente. Desde o começo do ano, ele tem tentado se aproximar do Planalto, refazendo laços rompidos em dezembro de 2008 quando, em plena crise financeira, surpreendeu o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva com demissões. Lula nunca perdoou Agnelli pelos cortes. Um ministro de Dilma afirmou que Agnelli criou "várias arestas" e ganhou a antipatia de muitos setores do atual governo, ainda marcados pela influência do ex-presidente Lula.

Em maio deste ano, os acionistas da Vale decidem se Agnelli permanece no comando da mineradora, onde ele está há dez anos. Para retirar Agnelli da ex-estatal, o governo usaria os fundos de previdência do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobrás e o BNDESpar, ligado ao BNDES, que detêm juntos 49% do controle acionário da empresa, e ainda teria de negociar com outros acionistas, como o Bradesco, dono de 21,51% das ações.

Até o momento, Roger Agnelli conseguiu apenas um aliado certo no governo para não ter problemas na eleição de maio: o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel. Tem ainda a simpatia do vice-presidente Michel Temer, que já intermediou contatos dele com Lula no ano passado.

Um dos ministros mais assediados por Agnelli, Antonio Palocci, da Casa Civil, não deu sinais claros de apoio ao executivo. A assessoria de imprensa de Palocci nega, mas o ministro chegou a receber Agnelli em audiência, no Planalto, no final de janeiro. A aproximação dos dois começou ainda no começo do governo. O executivo foi prestigiar a posse do ministro, que o chamou de "meu amigo". Assessores do governo entendem, porém, que Palocci está fazendo jogo duplo, evitando qualquer interferência a favor do executivo nas conversas com Dilma.

No final do ano passado, ainda na gestão Lula, pessoas próximas de Dilma afirmavam que haveria uma trégua até março. Só depois de preencher os cargos do primeiro e segundo escalão e das estatais, o Planalto iria avaliar a questão da Vale.

Auxiliares do governo observam que ainda são pouco visíveis os sinais de que a indisposição do Planalto em relação a Agnelli está esfriando. Observam, no entanto, que, nos bastidores, ministros e auxiliares diretos da presidente lembram, agora, que a questão da Vale passa por seus acionistas. Essa constatação, embora simples, não era feita no final do governo Lula. O então presidente fez uma série de críticas públicas a Agnelli por falta de investimentos.

Assessores do governo observam também que, embora seja ainda um momento de trégua, o Planalto não começou conversas com a direção do Bradesco, um acionista de peso da Vale, para negociar uma substituição no comando da mineradora. O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, um dos possíveis substitutos de Agnelli que não causaria estragos nas bolsas, já foi recolocado no "mercado" - Meirelles vai chefiar as ações das Olimpíadas do Rio. 

Tudo o que sabemos sobre:
AgnelliValemineradoraDilma Rousseff

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.