Investidor-anjo se organiza melhor no País

Quem faz o primeiro aporte nas empresas iniciantes costuma ser chamado investidor-anjo. Essa figura é comum em polos maduros de tecnologia, como o Vale do Silício, nos Estados Unidos, mas, como ação estruturada, surgiu recentemente no Brasil.

O Estado de S.Paulo

24 Junho 2012 | 03h09

"Sempre existiu investidor-anjo por aqui, mas de uma maneira receptiva", explicou Cassio Spina, fundador da rede Anjos do Brasil. "Era um executivo de sucesso que tomava contato com um projeto e resolvia investir. A formação de grupos que buscam ativamente oportunidades de investimento é recente."

Spina fundou em 1992 a Trellis, fabricante de equipamentos de comunicação de dados. Há dois anos, ele vendeu a empresa e decidiu se dedicar à atividade de investidor. Ele tornou-se sócio de cinco empresas, mas já vendeu a participação em uma delas.

"O cenário mudou radicalmente desde que eu criei a Trellis", disse Spina. "A Trellis levou mais de 10 anos para receber investimento, o que aconteceu só em 2004. Se tivesse recebido antes, teria crescido muito mais rápido. Mas o cenário de investimento tem evoluído muito, principalmente nos últimos dois anos. Toda semana recebo contatos de investidores e empreendedores estrangeiros, querendo vir para o Brasil."

Em média, segundo Spina, o aporte do investidor-anjo em cada empresa fica entre R$ 50 mil e R$ 100 mil. Quando a startup recebe recursos de um grupo de investidores, o montante costuma ficar entre R$ 50 mil e R$ 500 mil.

"É um investimento de risco e de baixa liquidez. O investidor tem de estar preparado para ficar quatro, cinco anos", disse Spina. "Por isso, a recomendação é que destine 5%, 10%, no máximo 15% do seu patrimônio."

A rede Anjos do Brasil tem cerca de 200 inscritos, mas Spina estima que existam cerca de 5 mil investidores-anjo no País. "A maioria deles é passiva: foi procurada por um empreendedor, considerou interessante o projeto e investiu", explicou o fundador da rede. "Nos Estados Unidos, existem 360 mil investidores-anjo."

Apoio de gigantes. Grandes empresas internacionais, como a Telefônica, a Siemens e a Qualcomm, e nacionais, como o Buscapé e a RBS, criaram competição de startups. O Wayra, da Telefônica, selecionou 10 projetos em novembro do ano passado.

Cada um recebeu um investimento de US$ 30 mil a US$ 70 mil, infraestrutura física e apoio à gestão. "O ambiente de investimento tem evoluído bastante", afirmou Pablo Larrieux, diretor de Inovação da Telefônica. / R.C.

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