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Investidor assimila nova taxação e Bovespa volta a subir

Bolsa sobe 0,28% chegando a 65.485,59 pontos, recuperando parte dos ganhos perdidos com taxação do IOF

Taís Fuoco, da Agência Estado,

21 de outubro de 2009 | 18h25

O investidor retomou o apetite pelos ativos da bolsa muito mais rapidamente do que muitos analistas esperavam. Depois de apenas um dia de recuo diante do início da taxação de 2% de IOF sobre o capital estrangeiro, a Bovespa recuperou parte dos ganhos e chegou a romper os 67 mil pontos no intraday - marca alcançada no fechamento dois dias atrás depois de quase 16 meses. Os dados desanimadores do Livro Bege, perto do final do pregão, entretanto, reduziram a alta e o principal índice da bolsa brasileira teve elevação de 0,28%, aos 65.485,59 pontos, depois de oscilar entre a máxima de 67.157,32 pontos e a mínima de 65.221,46 pontos. No mês de outubro, a valorização da bolsa é de 6,45%, enquanto no ano acumula ganhos de 74,40%. O giro financeiro, que na terça-feira, 20, foi de R$ 8,93 bilhões, nesta quarta-feira, 21, caiu para R$ 8,08 bilhões.

 

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Para um operador, a recuperação vista nesta quarta é até um pouco exagerada, "mas não dá para deter o capital". Segundo ele, o investidor parece ter feito as contas e chegado à conclusão de que, mesmo com a taxação, ainda vale a pena investir nos papéis do País.

 

Na terça, 20, a opinião quase unânime era de que as ADRs de empresas brasileiras fossem as mais beneficiadas pela decisão do governo. Sidnei Nehme, diretor executivo da corretora NGO, entretanto, pondera que "migrar para o mercado acionário de Wall Street focando as ADRs das principais ações brasileiras é uma alternativa que já estava presente e pode ganhar novo estímulo, mas os investidores não conseguirão acesso aos papéis ainda não apregoados no exterior e, principalmente os focados no varejo brasileiro, que são os com perspectivas bastante favoráveis face ao crescimento vislumbrado para o País a partir do próximo ano".

 

Por isso, o economista acredita que, "após os movimentos de ajustes na Bovespa, mixando o oportuno motivo para uma forte realização de lucros com os reclamos pelo tributo novo, não se espera que cause qualquer inversão de tendência sustentável e o tributo acabará sendo absorvido pela perspectiva de lucro".

 

Para Frederico Mesnik, sócio da Humaitá Investimentos, "ninguém esperava uma retomada tão rápida, mas isso não afasta a incerteza regulatória que o ministério da Fazenda gerou no País". Por isso, ainda que os fundamentos sejam bons, ele espera uma retomada no ritmo de alta da bolsa "com um pouco mais de areia na engrenagem".

 

Hoje, ele acredita que a alta da bolsa esteja bastante ligada à expectativa do PIB da China, que será divulgado na madrugada desta quinta-feira, 22. Como o mercado espera que o número do crescimento do país asiático mostre alta vigorosa, os papéis ligados a commodities sobem com entusiasmo pela expectativa de demanda chinesa. As projeções dos economistas são de que a expansão chinesa no terceiro trimestre se acelerou para 9,1%, contra 7,9% no segundo trimestre.

 

Além disso, relatórios favoráveis à CSN contribuíram para elevar todo o segmento de siderurgia. Um relatório do banco Goldman Sachs alterou nesta quarta-feira, 21, a recomendação para a CSN de neutro para compra. Em relatório, o analista Marcelo Aguiar avalia que a companhia se destaca entre as usinas brasileiras por conta da integração à cadeia de minério de ferro, que poderia beneficiar a empresa na retomada da atividade global de fusões e aquisições no setor. No mesmo relatório, o analista rebaixou Usiminas de compra para neutro e manteve a indicação de venda para Gerdau. Já o Barclays elevou o preço-alvo para os papéis da CSN para R$ 70,00 (US$ 41 por ADR), com recomendação overweight (peso acima da média de mercado).

 

Assim, CSN ON subiu 3,59%, para R$ 63,50, enquanto Gerdau PN fechou o dia em R$ 29,35, com elevação de 0,58%, e Usiminas PNA subiu 0,12%, para R$ 52,21.

 

Na esteira da alta do petróleo, Petrobras também teve um dia de valorização. Os preços dos contratos futuros do petróleo passaram a operar em alta na New York Mercantile Exchange (Nymex) e superaram a barreira dos US$ 80 por barril pela primeira vez desde o agravamento da crise global após o Departamento de Energia dos EUA (DOE) divulgar que, na semana passada, os estoques de gasolina do país caíram mais que o previsto.

 

Segundo o DOE, os estoques norte-americanos de gasolina recuaram 2,214 milhões de barris na semana encerrada em 16 de outubro, quase três vezes mais que o declínio de 800 mil barris previsto por analistas consultados pela Dow Jones. No mesmo período, os estoques de petróleo dos EUA subiram 1,312 milhão de barris - praticamente em linha com o previsto -, enquanto os estoques de destilados encolheram 784 mil barris, ante estimativa de queda de 800 mil barris. Além disso, a taxa de utilização da capacidade das refinarias aumentou para 81,1%, de 80,9% na semana anterior.

 

Os contratos futuros de petróleo para dezembro na Nymex fecharam em alta de 2,84%, para US$ 81,37 - maior cotação desde 9 de outubro de 2008. Os papéis com direito a voto da Petrobras fecharam em queda de 0,46%, para R$ 43,00, enquanto a ação preferencial ganhou 0,55%, negociada a R$ 36,70. Já as ações da Vale, impulsionadas pela expectativa do balanço que em uma semana, também mostraram recuperação em relação a terça-feira, 20. A ação ON teve alta de 0,74%, para R$ 46,11, enquanto o papel sem direito a voto subiu 0,67%, cotada a R$ 40,77.

 

Em Nova York, as bolsas viraram para o campo negativo após os dados do Livro Bege mostrarem que o consumo americano ainda não dá mostras de reação. Dow Jones perdeu os 10 mil pontos e fechou em queda de 0,92% (9.949 pontos), enquanto S&P recuou 0,89%, aos 1.081 pontos, e Nasdaq perdeu 0,59%, aos 2.150 pontos.

 

As bolsas europeias fecharam em alta ao final de uma sessão volátil. Os índices recuperaram as perdas iniciais após a divulgação dos bons resultados do banco norte-americano Morgan Stanley, mas o mercado recebeu com frieza as atualizações aos investidores divulgados pela Peugeot, Deutsche Bank e PPR Group. O principal índice da Bolsa de Frankfurt, o DAX, subiu 0,37% para 5.833,49 pontos. O índice CAC-40, o principal da Bolsa de Paris, subiu 0,05% para 3.873,22 pontos, enquanto o índice FTSE 100, o principal da Bolsa de Londres, avançou 0,28% para 5.257,85 pontos. O principal índice da Bolsa de Madri, o IBEX35, avançou 0,72% para 11.875,20 pontos.

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