Aline Bronzati/Estadão
Aline Bronzati/Estadão

Investidor brasileiro não poderá participar do IPO bilionário da XP; entenda

Operação poderá chegar a US$ 2,1 bilhões, mas já há ordens de aproximadamente US$ 20 bilhões pelos papéis da maior corretora

Renato Jakitas e Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2019 | 15h36

A abertura de capital mais esperada do ano no Brasil deixará de fora os investidores brasileiros. A bilionária oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da XP Investimentos, prevista para acontecer nesta quarta-feira, 11, na bolsa norte-americana Nasdaq, contará apenas com a participação dos fundos norte-americanos. 

Ao brasileiro interessado, seja ele investidor institucional, seja pessoa física, restará aguardar por um segundo momento, quando os papéis passarem a ser comercializados no mercado secundário pela Nasdaq.  

Isso vai acontecer por dois motivos. O primeiro deles é que, nos Estados Unidos, as ofertas de IPOs são direcionadas para os investidores institucionais (fundos de pensão, fundos de investimento e family offices). "Com isso, fica muito difícil um IPO chegar ao varejo", afirma Roberto Lee, da corretora americana Avenue.

E quando acontece de sobrar cotas de um IPO para o investidor pessoa física, Lee explica que as ações ficam restritas aos investidores qualificados, os chamados accredited Investors. O termo designa o aplicador que tem US$ 1 milhão em patrimônio no mercado financeiro, além de renda anual mínima comprovada de US$ 200 mil nos últimos dois anos.

O segundo motivo pelo qual os brasileiros não participarão do IPO da XP é porque a empresa optou por barrar os fundos brasileiros, em condições de participarem da oferta inicial, com receio de que isso futuramente implique em questionamentos na Justiça. 

A explicação para isso é que em ofertas no exterior e registradas em outra jurisdição, não pode haver esforço de venda e distribuição no mercado local para investidores aqui residentes. Se isso for feito é preciso registro na CVM ou a oferta é irregular.

Empresa lançou fundo

Apesar de todo o histórico contrário, uma gestora brasileira, a Vitreo, anunciou recentemente o lançamento de produtos para tentar participar do IPO da XP. A empresa lançou dois fundos. Um para ser 100% exposto às ações da XP, permitido, dessa forma, apenas para investidores qualificados, e outro com 20% de papéis da XP e o restante em títulos públicos, para atender as regras e poder ser oferecido ao varejo comum.

A ideia da Vitreo é pegar de cara a valorização que é esperada na estreia do papel da XP, dada a alta demanda que é verificada. No entanto, fundos locais há tempos não têm sido alocados pelos intermediários nas ofertas de empresas brasileiras que escolhem bolsas estrangeiras para abrirem capital.

O livro da oferta da XP fecha hoje e a aposta é de que a Vitreo, apesar da inovação, acabe ficando de fora. Mesmo assim, a gestora poderá comprar ações da XP no mercado secundário e ainda prover acesso a esses papéis aos investidores locais, que a cada dia mais buscam opções de investimento em tempos de juros baixos no Brasil.

Demanda alta

Nesta terça, apuração do Estadão/Broadcast mostra que a demanda pelas ações da XP Investimentos em seu IPO já supera em dez vezes a oferta. Como a operação poderá a chegar a US$ 2,1 bilhões, considerando a colocação de um lote extra, já há ordens de aproximadamente US$ 20 bilhões pelos papéis da maior corretora brasileira.

A forte demanda tem feito pressão no valor das ações da empresa. A Bloomberg informou que o preço de venda das ações da XP Inc. ultrapassará os US$ 25, acima da média para seus principais concorrentes no mercado americano.

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