Investidor brasileiro perde rentabilidade

O investidor brasileiro costuma entrar e sair de fundos de investimento no momento errado, aponta um estudo realizado pela Sul América Investimentos. O aplicador é motivado a comprar cotas quando observa um movimento de valorização, mas, com freqüência, nesse momento, a melhor rentabilidade já foi verificada. Ele também apressa-se a vender as cotas assim que a aplicação começa a derrapar. Com isso, acaba tendo prejuízo ou ganhando menos do que poderia se fosse mais cuidadoso na hora de aplicar ou resgatar seus recursos.O estudo analisou o rendimento e a evolução do patrimônio de 14 fundos de derivativos - 7 conservadores e 7 agressivos - que tiveram a melhor relação risco/retorno de 1° de setembro de 1999 a 1º de setembro de 2000. Foram analisadas a evolução do patrimônio do fundo e a proximidade do ganho médio dos cotistas (taxa interna de retorno) do rendimento oferecido acima do CDI (retorno excedente). Um resultado foi que, quando o patrimônio do fundo ficou mais estável, demonstrando que não houve entradas nem saídas abruptas de recursos, o ganho médio dos cotistas ficou mais próximo do retorno excedente ao CDI apurado pela aplicação. Em outras palavras, o investidor fiel foi premiado com uma rentabilidade melhor. Um dos fundos analisados cujo patrimônio oscilou pouco, entre R$ 22 milhões e R$ 26 milhões, teve retorno excedente ao CDI de 18,862% e ganho médio de 18,764% - ou seja, o investidor desfrutou de quase todo o rendimento do fundo. Quando o patrimônio do fundo registrou variações amplas, o estudo mostrou que o ganho médio do cotista ficou abaixo do rendimento que excede o CDI. Assim, o novo cotista entrou numa fase que a rentabilidade já estava em declínio. Em um dos fundos estudados, o patrimônio subiu de R$ 50 milhões para R$ 172 milhões, o retorno excedente ao CDI foi de 16,189% e o ganho médio de 12,801%. O gerente de Risco da Sul América, Miguel Russo, explica que o ganho médio, ou taxa interna de retorno, é a rentabilidade do fundo ponderada pelo patrimônio, indicando o ganho efetivo apurado pelos cotistas.Investidores escolhem momento erradoUm outro estudo da Sul América, com cerca de metade dos fundos de derivativos da indústria, também evidencia que o investidor tende a escolher mal o momento para aplicar e resgatar. A instituição analisou a rentabilidade e o patrimônio dos fundos do começo de março ao fim de maio. O patrimônio de um dos fundos analisados, que rendeu apenas 57,2% do CDI no período, encolheu 29,4%, indicando que o investidor saiu justamente quando o fundo estava obtendo baixo rendimento. Com isso, o aplicador teve perdas ou ganhos menores do que se tivesse sido um pouco mais paciente.O inverso também ocorre, lembra Russo. Quando o fundo começa a registrar rentabilidade interessante, o patrimônio aumenta, porque novos investidores são atraídos e compram cotas. Um fundo que rendeu 116,6% do CDI no período teve um incremento de 22,7% no patrimônio por conta de novas aplicações. E esse não é o melhor momento para entrar no fundo, porque a taxa interna de retorno mostra que há queda de rentabilidade quando o patrimônio aumenta. Com isso, o investidor acaba entrando no fundo quando o processo de alta terminou ou pode estar próximo do fim.Russo entende que o investidor acaba cometendo esses erros por analisar a rentabilidade do fundo por um período não extenso de tempo, não levando em conta o prazo de maturação do fundo. Ele diz que as conclusões tendem a ser parecidas em estudos com fundos que são administrados de maneira ativa, não importando se fazem parte do segmento de renda fixa ou de renda variável.

Agencia Estado,

03 de outubro de 2000 | 17h34

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