Investidor cobra reação do mercado às decisões do Fed

Em dois artigos, Mohamed El-Erian destaca a adoção de 'gatilhos' para mudanças na política monetária, anunciada por Ben Bernanke

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2012 | 02h06

O executivo-chefe da Pacific Investment Management Co. (Pimco), Mohamed El-Erian, questiona em artigo a falta de uma reação mais robusta do mercado às decisões anunciadas na quarta-feira pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). "Os analistas terão dificuldades para explicar como os mercados fecharam estáveis no dia de um anúncio de política sem precedentes do Fed. Em vez de recorrer a clichês, eles deveriam considerar as emoções conflitantes sentidas por um paciente que toma um medicamento experimental que ainda não foi testado."

No artigo, publicado na noite de quarta em um blog da CNBC, El-Erian diz que "a desculpa de que a decisão era 'esperada e, portanto, estava precificada' não funciona", porque um componente notável do anúncio do Fed, a adoção de "gatilhos" quantitativos para mudanças na política monetária, foi uma surpresa. "A maioria esperava que isso não acontecesse até março de 2013, pelo menos."

Segundo El-Erian, "os investidores profissionais deram boas-vindas à notícia de que o Fed está disposto a testar novas drogas para estimular a economia" e lembrou que o presidente do Fed, Ben Bernanke, quer "pressionar os investidores a assumir mais riscos". Ele acrescentou que "à medida que o dia progredia, os investidores perceberam que, como qualquer droga experimental, existe o risco material de complicações".

Em outro artigo, publicado ontem no site da revista Fortune, El-Erian enfatiza que "o anúncio do Fed vai passar aos livros de história", porque "marca uma evolução importante no envolvimento e nas aspirações do banco central". "Também é uma medida arriscada, que leva a instituição a um território experimental e politicamente carregado."

A boa notícia, escreve El-Erian, é a disposição reafirmada pelo Fed de usar todas as ferramentas disponíveis para estimular a economia. "A má notícia é que o Fed, com ferramentas imperfeitas para o desafio à frente, e com outras agências do governo ausentes, pode estar assumindo uma carga insustentável".

Ao examinar as decisões do Fed, El-Erian volta a destacar os "gatilhos" quantitativos e observa que as compras de ativos anunciadas foram dobradas, para US$ 1 trilhão. El-Erian não chega a examinar o duplo discurso assumido pelo Fed: de um lado, reafirmando que seu mandato é duplo, consistindo em promover o nível máximo de emprego e a estabilidade dos preços, e sua meta de longo prazo para a inflação continua a ser de 2%. Ao mesmo tempo, indica que na verdade a prioridade é fomentar o emprego, e o "gatilho" para mudanças na política monetária foi fixado em 2,5%, e não 2%. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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