Investidor deve diversificar aplicações

Como os juros básicos brasileiros (taxa Selic) caíram de 18,50% para 16,50% ao ano e devem continuar em queda nos próximos meses, as aplicações de renda fixa estão deixando de oferecer a combinação dos últimos anos, marcada por rentabilidade elevada e risco baixo. Além disso, neste trimestre, a inflação está um pouco mais alta, fazendo com que o rendimento da renda fixa possa ficar negativo. Nesse cenário, o investidor que quiser uma rentabilidade diferenciada terá de diversificar suas aplicações e aventurar-se na renda variável, num momento em que as perspectivas para a bolsa são positivas. No entanto, a diversificação depende do prazo pelo qual os recursos podem ficar aplicados, do perfil do investidor e da quantia disponível para aplicação.O diretor de Administração de Recursos do banco Chase Manhattan, Wagner Murgel, diz que é crucial saber o prazo pelo qual o dinheiro poderá ser investido. Se o aplicador aplicar apenas por 60 ou 90 dias, por exemplo, o melhor é concentrar os recursos na renda fixa. A aplicação num fundo de ações, por exemplo, deve ser feita por prazos mais dilatados, pois a bolsa pode oscilar bastante no curto prazo. Com isso, há tempo para poder esperar e vender os papéis ou sair do fundo num momento favorável. Gestor da ABN AMRO Asset Management, Alexandre Póvoa, destaca a importância de o investidor ter consciência do risco das aplicações. Quem não suporta a idéia de ver seu fundo registrando cotas negativas não deve investir em bolsa, mesmo que possa aplicar por prazos longos e tenha muito dinheiro. Ele entende que quem tem mais recursos pode correr mais riscos. O investidor pode diversificar, e, assim, a perda de parte do dinheiro, no caso da bolsa ir mal, não tem um impacto dos maiores para o investidor. É possível diversificar com pouco dinheiro Segundo o diretor da ClickInvest Gestão de Ativos, Gabriel Jafet, é possível diversificar com poucos recursos, pois muitos administradores aceitam aplicações de valor baixo em fundos de renda variável. Quem pretende obter uma rentabilidade melhor tem como opções principais os fundos de ações, multicarteira, de capital garantido e de derivativos.Os três primeiros dependem diretamente do desempenho da bolsa. Os fundos de ações são mais agressivos, pois aplicam, em geral, pelo menos 67% dos recursos em papéis no mercado à vista. Os fundos multicarteira aplicam parte dos recursos em renda fixa e parte em ações - de 10% a 70%, dependendo do perfil do fundo. Os fundos de capital garantido, por sua vez, com mais de 90% dos ativos em renda fixa e pequena porcentagem em opções de ações, são indicados para o investidor conservador que quer beliscar parte da rentabilidade da bolsa, mas não quer correr o risco de a cota ficar negativa.Os fundos de derivativos, por sua vez, não dependem da tendência do mercado. Nessas aplicações, é possível ganhar dinheiro apostando antecipadamente na alta ou na queda da bolsa, dólar e ações. Por conta disso, é preciso muita confiança na habilidade do gestor.Entenda mais sobre a composição dos fundos nos links abaixo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.