Investidor deve escolher tabela de IR ao aderir a plano de previdência

1. Sou aposentado e tenho há dois anos R$ 250 mil aplicados em um plano VGBL, com taxa de administração de 1,50% ao ano. Com a baixa de rendimentos que ocorreu na economia, ainda é viável continuar com este tipo de aplicação ou poderia mudar para aplicação em Letras de Crédito Imobiliário (LCI)? Quando efetuar a retirada total ou parcial da previdência, o valor terá desconto do Imposto de Renda? Posso utilizar esse valor na declaração anual de ajuste, ou seja, abater do imposto devido ou receber o mesmo de volta?

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2012 | 03h06

A situação inicial a ser ponderada é que a sua aplicação no plano de previdência tem muito pouco tempo. Dependendo da tabela de IR que você optou na adesão ao VGBL, a tributação será muito alta e neste caso a perda financeira será grande. No caso da opção ter sido pela tabela regressiva a alíquota tributária será de 35% do ganho de capital realizado no período, já que o seu plano é um VGBL. O valor pago será deduzido na fonte e não pode ser abatido da declaração anual. Sua opção neste momento é usar da portabilidade e buscar transferir os recursos para outro plano que tenha melhores condições de rentabilidade e custos na mesma seguradora ou até mesmo em outra seguradora. A opção de investir o dinheiro ou parte dele em uma LCI seria interessante porque este título é isento de IR para pessoas físicas e assim oferece rendimento melhor do que algumas opções de mercado.

2. Sou aposentada, tenho 70 anos e, visando o aumento do meu rendimento mensal, pretendo vender meu imóvel e adquirir um de menor valor. Inicialmente pensava em colocar o valor da diferença entre a venda e a compra em aplicações mais conservadoras, como fundos DI e de renda fixa. Aplicar uma parte no Tesouro Direto é viável? Como atualmente os juros dessas aplicações estão em queda, penso também em investir em outro imóvel pequeno para alugar. Seria uma boa opção ou teria outra forma de aplicação mais rentável e segura?

Caso haja necessidade de reforço da renda, a mudança de imóvel pode ser uma boa estratégia. Mas tenha muita cautela e faça contas para saber se a troca vale à pena. A venda e a compra de imóveis sempre traz diversos custos: gastos com papelada, registros, comissões e reformas. O que sobra para ser aplicado nem sempre é o que foi originalmente planejado. Também há potenciais riscos de alugar imóveis, como gastos com reformas, período sem locação, não pagamento de alugueis, etc... Quanto às alternativas de investimentos, as aplicações mais conservadoras estão rendendo pouco, mas caso o seu objetivo em relação a esse valor seja o de preservá-lo para reforçar o caixa, hoje há ainda oportunidades de investimento adequadas, com risco relativamente baixo. Considere, por exemplo, títulos do Tesouro Direto como as NTN-Bs para o longo prazo, pois proporcionam uma taxa fixa além de correção pelo IPCA. Alternativas são as LCI e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) que não têm incidência de IR para pessoas físicas. Há também a possibilidade de investimentos em fundos imobiliários, com atenção à taxa de administração cobrada.

3. As ações que tiveram valorização de mais de 100% no ano passado terão baixa rentabilidade neste ano?

Em finanças, o passado recente de uma ação não garante a continuidade de rentabilidade no futuro próximo. Assim, um título que tenha apresentado excelente retorno no ano anterior não traz garantias que ele terá o mesmo desempenho no ano seguinte. Mas podemos admitir que se uma ação teve retorno muito superior ao mercado em certo período é razoável considerar que ela não terá força para manter o mesmo, ou superior, retorno no período seguinte. Estudos realizados no campo de finanças comportamentais consideram, por exemplo, o "efeito momento" que diz que ações com melhor desempenho no ano anterior apresentam melhor desempenho do que as de pior retorno.

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