Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Investidor deve ter cautela com 'ondas' do mercado financeiro

Decisão de embarcar no ‘efeito manada’ pode ser especialmente prejudicial ao pequeno investidor no longo prazo

Ana Neira, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2019 | 05h00

Eventos como o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG) no dia 25 de janeiro podem causar o chamado “efeito manada” no mercado financeiro, que se caracteriza quando investidores correm para comprar ou vender papéis de uma determinada empresa. Analistas ouvidos pelo Estado dizem que esse tipo de movimento pode levar a decisões impulsivas – e o investidor de pequeno porte, que tem recursos limitados, tem o desafio de tentar se controlar antes de embarcar numa “onda” momentânea e acabar perdendo no médio e longo prazos.

 “Quem tem recursos limitados sai mais machucado deste tipo de situação, normalmente buscando algum investimento mais seguro, em especial se não está habituado com os riscos da renda fixa”, explica o operador do mercado e sócio do Grupo Laatus, Jefferson Laatus. 

Segundo ele, é comum que o investidor que juntou recursos com dificuldade para investir na Bolsa acabe recorrendo a opções mais tradicionais – como os fundos de renda fixa – em tempos de incertezas como a que se viu a partir da tragédia da Vale. “A pessoa que não está acostumada vai reavaliar os riscos da renda variável, pelo menos até compreender direito o que aconteceu.”

‘Efeito manada’ 

Com perda de R$ 71 bilhões em valor de mercado em um só dia (após recuo de 24,5% nas ações), o mais recente evento negativo da mineradora deixou investidores em alerta. Especialistas dizem que o necessário no momento é ter calma e capacidade de análise. 

No entanto, a partir do momento em que investidores profissionais (sobretudo estrangeiros e grandes fundos) começam a se desfazer dos papéis que possuem e derrubam os índices, a contaminação no mercado acontece em efeito cascata – efeito visto em qualquer lugar do mundo. 

Com o mercado brasileiro fechado no dia do desastre da Vale, por conta do feriado de aniversário de São Paulo, o mercado viu as ADRs – recibos de ações emitidos por empresas não sediadas nos Estados Unidos que podem ser negociados no mercado norte-americano – da mineradora movimentarem US$ 2,14 bilhões na bolsa de Nova York.

Ao longo da semana, no entanto, as ações da mineradora ensaiaram um movimento de ajuste após a expressiva queda. Na última sexta-feira, os papéis ordinários avançavam 1,65%, com investidores em busca de oportunidades de ganho com a aposta de uma recuperação mais consistente no futuro.

Mercado de tecnologia

O “efeito manada” é perceptível também outros episódios. Logo no início deste ano, uma queda de 9% nas ações da Apple impactou os papéis de outras empresas de tecnologia fora do País. Todas as gigantes da área registraram queda no valor das ações no dia 3 de janeiro: Microsoft (2,6%), Facebook (1,25%) e Alphabet, controladora do Google (1,57%) e Amazon (0,75%). Intel, Nvidia e Twitter também recuaram, respectivamente, 3,78%, 3,69% e 0,94%.

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