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Investidor faz as contas e invade Brasília à procura de bons negócios

Dólar em alta e crise das grandes construtoras por causa da Operação Lava Jato abrem espaço para a venda de ativos

ADRIANA FERNANDES, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2015 | 02h04

BRASÍLIA - O Brasil entrou literalmente em saldão e a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, tem sido invadida por investidores estrangeiros em busca de informações sobre a economia e boas oportunidades de negócios. O investidor começou a fazer as contas e está vendo que os ativos no País estão baratos.

O dólar em alta dá mais segurança. O risco de perda ao se investir no Brasil cai com as possibilidades menores de o dólar subir a níveis muito mais elevados. E a crise das grandes construtoras por causa dos desdobramentos da Operação Lava Jato na Petrobrás abriu espaço para a venda de ativos.

A demanda forte dos investidores estrangeiros também tem atraído os investidores para ativos do mercado financeiro. Ontem, a percepção de que o Brasil está barato levou os estrangeiros às compras na Bovespa.

Segundo analistas, há um misto de dois fatores impulsionando esse movimento: está tudo muito barato e há uma percepção de que o dólar encontrou seu patamar de preço no Brasil.

As conversas têm sido intensas, nas últimas semanas, com as autoridades da equipe econômica num quadro em que os investidores fazem prospecção para sentir o pulso dos compromissos com os ajustes de correção da economia que estão sendo feitos pelo governo. A maior preocupação dos investidores é com a crise política do governo, que traz incertezas em relação à capacidade de o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, negociar com o Congresso Nacional o ajuste fiscal, o risco de racionamento de energia e a crise da Petrobrás.

Segurança. O maior interesse dos investidores são os ativos sem risco de entrega, como a participação em empreendimentos já prontos que estão sendo colocados à venda, principalmente das construtoras em apuros. É o caso da OAS, por exemplo, que está vendendo sua participação na Invepar, concessionária do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

A Petrobrás também já anunciou que fará operações de venda de ativos para fazer caixa e o governo corre para acelerar a nova fase do programa de concessões públicas com rentabilidade mais atrativa para os investidores. Os entraves regulatórios permanecem no setor de portos e também de ferrovias, onde algumas regras ainda precisam de definição.

A expectativa é de que os negócios comecem a se concretizar de fato no segundo semestre, quando se espera que o imbróglio em torno do balanço da Petrobrás, que afugenta e traz incertezas para as transações, esteja resolvido.

"O que botar à venda, os investidores compram porque o Brasil é um País com grandes oportunidades e bons ativos", disse uma fonte da área econômica. Para a fonte do governo, o Brasil continua sendo um dos países de maior atração de Investimento Estrangeiro Direto (IED) do mundo.

O excesso de liquidez no mercado internacional, principalmente na Europa, e a taxa de juros mais elevada no Brasil também devem atrair investimentos para ativos financeiros. Os investidores são levados a Brasília pelos representantes de bancos.

Compromisso. O ministro da Fazenda e sua equipe têm reforçado nas conversas que com bom marco regulatório dá para atrair investimento de alto nível. Há uma avaliação do governo de que a equipe econômica tem conseguido passar um bom "entendimento" em torno do compromisso do ajuste. A confiança, acredita o governo, vai se consolidar.

Para os investidores, o medo maior é ter de "jogar fora a calculadora" por causa de uma rebelião maior do Congresso e do risco do processo de impeachment, por exemplo.

Mas, deixando esse cenário extremo de lado, o perfil de risco dos investidores varia bastante. Os mais cautelosos querem visibilidade para os próximos dez anos. Já outros podem investir com visibilidade de cinco anos. Mas têm vários que com alguns meses de visibilidade já se sentem à vontade. "Se entregarem o balanço auditado da Petrobrás e equacionarem a Sete Brasil, ganhamos um alívio de curto prazo", disse o dirigente de um banco de investimento. / Colaborou Cristina Canas

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