Investidor ignora perdas da Gol e vê recuperação

Pressionada pela alta do dólar, companhia aérea divulga 11º prejuízo líquido consecutivo, mas traz margem operacional maior por sete trimestres

LUCIANA COLLET, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2014 | 02h05

Apesar de registrar prejuízo líquido pelo 11º trimestre consecutivo, o balanço da Gol, divulgado na terça-feira à noite, animou os investidores. As ações da empresa subiram 6,23% no pregão de ontem, a terceira maior alta do Ibovespa. O bom desempenho operacional da companhia e a possível liberação do capital estrangeiro para companhias aéreas brasileiras, que está em análise no Congresso, impulsionaram a ação.

O prejuízo líquido da Gol somou R$ 245,1 milhões no terceiro trimestre de 2014, montante 24,4% maior que a perda de R$ 197 milhões registrada em igual período do ano passado. Desde 2012, a companhia acumula perdas de R$ 2,7 bilhões.

O prejuízo se deve ao resultado financeiro negativo de R$ 435 milhões - 60% dessa perda é atrelada à alta do dólar. A moeda americana se valorizou em cerca de 10% entre setembro de 2013 e o mesmo mês de 2014 e afetou o balanço de empresas com dívida em dólar. A perda, no entanto, é contábil e não tem efeito imediato no caixa.

O presidente da Gol, Paulo Kakinoff, ressaltou que, pela primeira vez em três anos, a Gol conseguiu gerar caixa no terceiro trimestre, mesmo durante a baixa temporada. "Essa geração de caixa positiva é um marco para a empresa nos últimos três anos", disse ontem, em teleconferência de apresentação do resultado trimestral.

Os analistas viram com bons olhos o aumento do lucro operacional (Ebit) da empresa no período, que somou R$ 152 milhões, contra R$ 37 milhões no terceiro trimestre de 2013. Foi o sétimo trimestre consecutivo de expansão da margem da Gol.

A Gol iniciou em 2012 um processo de reestruturação para recuperar sua rentabilidade. A empresa enfrentava um excesso de oferta no mercado que inviabilizava repassar ao preço das passagens aéreas o aumento de custos do setor, o que acarretava prejuízos bilionários para a companhia. Desde então, a Gol vem cortando a oferta em busca de eficiência, tentando voar com aviões mais cheios.

Entre julho e setembro, a Gol cortou 4,2% da oferta de passagens aéreas para voos domésticos, na comparação com o mesmo período do ano passado. Kakinoff salientou que o cenário macroeconômico seguirá exigindo "disciplina de capacidade", mas evitou dizer se isso exigirá novos cortes na oferta.

Congresso. O presidente da Gol disse também que a liberação do capital estrangeiro nas empresas aéreas brasileiras é um tema defendido há muito tempo pela Gol. Hoje a legislação limita a 20% a presença de estrangeiros no capital votante das empresas aéreas, mas o Congresso colocou anteontem na pauta de votação uma proposta de exclusão desse teto.

Se a proposta for adiante, diz Kakinoff, a Gol passará a contar com "muitas possibilidades", mas isso demandará discussões internas. O executivo salientou, porém, que não há acordos previamente acertados com as companhias aéreas internacionais que já detém fatias minoritárias na Gol, como a americana Delta Airlines e a Air France-KLM. / Colaboraram Marina Gazzoni e Beth Moreira

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