Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Investidor mira ativos imobiliários ligados a consumo, como shopping e hotel

Investidores institucionais privados estão voltando suas atenções para os setores com tendência de recuperação mais rápida na saída da crise, dizem especialistas em evento do 'Estado'

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

09 Abril 2018 | 17h35

Os investidores institucionais privados especializados em mercado imobiliário estão voltando as suas atenções para os setores com tendência de recuperação mais rápida na saída da crise. Neste momento, os alvos das apostas são, principalmente, aqueles ativos que devem se beneficiar da retomada do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e dos níveis de consumo da população, como shopping centers e hotéis.

"Com a melhora do cenário econômico, acredito que o consumo voltará antes dos grandes investimentos estruturais. Por isso, optamos por comprar shopping centers", contou o sócio fundador da Hemisfério Sul Investimentos (HSI), Máximo Lima, que espera um desempenho crescente das vendas dos shoppings e dos aluguéis cobrados dos lojistas com o fim do período mais intenso da crise nacional. "Outro investimento com essa premissa está no setor hoteleiro, voltado para a classe C. Com a melhora da economia, as pessoas voltam a viajar. É PIB na veia", disse Lima, durante debate no Summit Imobiliário, organizado pelo grupo Estado.

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O sócio da Hedge Investments, Alexandre Machado, disse concordar com a visão de que os imóveis destinados a atividades de varejo e serviços tendem a se recuperar mais rápido do que outros tipos de empreendimentos, como lajes corporativas e galpões logísticos. Esses setores ainda têm um nível elevado de espaços vagos, o que limita a valorização dos aluguéis cobrados dos inquilinos. "Para escritórios, por exemplo, ainda vejo dificuldades na realização de investimentos. Os yields (retorno aos investidores) não são satisfatórios no curto prazo", comentou.

Por sua vez, o diretor executivo do Blackstone, Marcelo Fedak, afirmou que a estratégia do grupo para o mercado imobiliário brasileiro será a busca por regiões onde haja um equilíbrio entre oferta e demanda, independentemente da classe do ativo. "Não adianta entrarmos em mercados onde a vacância é grande, pois o valor ganho com o aluguel não tenderá a subir, gerando um custo pesado de carrego. Procuramos as regiões onde há ocupação crescente. E isso vale para todos os ativos de todos os setores", afirmou Fedak.

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O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e coordenador do Índice Fipezap, Eduardo Zylberstajn, observou que os investidores institucionais fugiram do mercado imobiliário residencial, considerando uma série de dificuldades enfrentadas nessa área, como os cancelamento de vendas de unidades negociadas na planta - os chamados distratos - além de baixos volumes de lançamentos e vendas nos últimos anos. Por outro, entende que há potencial para essa recuperação no médio prazo. "Mas para isso, é preciso que haja condições", afirmou, referindo-se à estabilização das atividades, retorno financeiro das incorporadoras e melhora da segurança jurídica.

Na avaliação dos participantes do debate, o mercado imobiliário também tende a se beneficiar, no curto prazo, do ciclo de redução da taxa básica de juros da economia brasileira, que deverá reduzir os juros dos financiamentos bancários e também levará muitos investidores domésticos a migrar para aplicações com um potencial de retorno maior. "Nosso investidor é local, pessoa física, que tem isenção tributária para fundos de investimento imobiliário. Com a redução das taxas de juros, entramos em um momento promissor da nossa indústria. Esperamos um volume recorde de emissões de fundos neste ano", comentou Machado, da Hedge.

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