Investidor não realiza negócios pela Internet

As negociações via Internet ainda correspondem a apenas 8% das operações efetuadas no mercado de capitais brasileiro. Inibido pela falta de liquidez do mercado em geral e pelo reduzido apetite dos pequenos investidores pelos negócios em bolsa, o "home broker" da Bovespa, inaugurado em abril de 1999, respondeu em junho por apenas 7,68% do total das operações executadas na instituição e 1,2% do volume negociado. "A média do investidor brasileiro é de 50 anos e, conservador, ele prefere negociar pelas corretoras", diz o presidente do Sindicato dos Corretores do Rio de Janeiro, Francisco Elias. "A expansão da Internet no mercado de capitais depende da massificação desse mercado, com a atração de pequenos investidores", emenda o professor de estratégia financeira do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Hélio França. Segundo França, os sites criados para negociações de investimentos via Internet, como os ligados aos grandes bancos, estão preparados para quando ocorrer essa massificação. Ele admite que a situação desses canais de negociação é "complicada" neste momento de baixa liquidez, mas o pequeno investidor vai procurá-los quando houver aquecimento do mercado, já que eles vão oferecer suporte eficiente e melhores preços. "Esses sites são uma opção real de participar de um mercado que, no futuro, será promissor. É preciso ter paciência", disse. França ressaltou que "os grandes investidores sempre vão preferir os benefícios que já têm com os corretores". Ele lembra que os investidores estrangeiros ou institucionais, como os fundos de pensão, trabalham com grandes volumes de negócios e, em conseqüência, conseguem baixas taxas de corretagem. Já os pequenos investidores, que - ao contrário dos grandes - conseguem negociar com custos menores na Internet, preferem se manter fora do mercado por causa da reduzida liquidez atual. "O potencial desse mercado é muito maior do que a utilização atual", acredita França. Ele considerou positivo o aumento da participação do "home broker" no total de operações da Bovespa, de 6,28% em julho de 2001 para os 7,68% no mês passado. "Sem dúvida é positivo esse movimento de expansão, mas o potencial do mercado é muito maior do que isso", aposta. Para Elias, a negociação na Internet depende do desenvolvimento de uma nova cultura no mercado. "Acho que não há espaço para crescimento dos negócios na rede em curto prazo. O mercado tem de melhorar, há necessidade de criação de uma cultura com informações sobre o assunto até nas escolas de ensino básico."

Agencia Estado,

16 de julho de 2002 | 09h40

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