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Investidor: não seja o seu maior inimigo

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Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2018 | 05h00

O gerente da minha conta disse que era vantagem colocar meu dinheiro num plano PGBL no final de ano para poder ter redução do imposto de renda em 2019. Vale a pena?

Os planos de previdência PGBL têm o benefício de redução de até 12% da receita anual e, assim, redução do imposto a pagar, mas isso não necessariamente cabe para todas as pessoas. Com certeza não vale a pena se você depositar em dezembro para sacar em 2019 porque, além de ter de pagar o imposto de renda, vai arcar com todos os custos do plano. Isso admitindo que a sua opção seja pelo regime fiscal progressivo, a mesma tabela da declaração anual de imposto. Os planos de previdência têm como uma das vantagens o deferimento tributário. Em outros termos, nós somente pagamos imposto de renda no resgate ou quando passamos a receber os benefícios contratados no plano. Mas, isso traz ganhos se eu ficar no plano por longo prazo. No caso de opção pelo regime regressivo de imposto, a tabela começa com 35% de alíquota até dois anos de prazo de cada contribuição, caindo 5 pontos porcentuais a cada dois anos e atinge a alíquota de 10% para as contribuições com mais de 10 anos. Fica claro que se sair de um plano com esse regime no curto prazo o custo é altíssimo. Há outros aspectos do PGBL que devemos conhecer. O benefício fiscal anual de desconto de até 12% da receita bruta vale somente para quem utiliza o formulário completo da declaração de renda e seja contribuinte do INSS. Caso você não se enquadre nas condições não poderá ocorrer o desconto do imposto a pagar. Os planos de previdência são interessantes quando temos como objetivo a aposentadoria ou pensamos na sucessão. 

Eu sou um investidor aplicado, mas este ano está muito difícil e mesmo diversificando a minha carteira, não estou tendo um bom desempenho. Quais são as dicas você pode me dar?

Você não está sozinho. Há muitos investidores com fraco desempenho neste ano, sem entender o que estão fazendo de errado e colocando a culpa no “mercado”. Faz pouco tempo, li um artigo do Stock Investing Team que trazia o título “Não seja o seu pior inimigo”. Tratava justamente de que muitos que estão com suas carteiras sem excelente desempenho buscam alguém ou alguma situação para culpar. Infelizmente, na maioria das vezes a resposta está no espelho. No campo das finanças comportamentais, encontramos boas explicações para o fraco desempenho. Uma das bases é que nós não somos plenamente racionais na decisão de investir. Relutamos em vender ativos que estão nos fazendo perder dinheiro e saímos com muita facilidade de aplicações que estão trazendo ganhos. Para nós, é sempre maior a dor da perda do que a alegria do ganho. Outra prática em investimentos é decidir com base em condições anteriores e gravadas na memória. Constantemente decidimos investir em ações “vencedoras”. Mas quando compramos uma ação, estamos comprando o futuro, e não o passado. Outras vezes somos levados pelo efeito “âncora”, temos certas crenças e deixamos de avaliar o cenário e outras variáveis na hora de investir. Isso ocorre quando temos “certezas”, como investir em imóveis é “sempre um bom investimento” ou “sempre há ganhos em investir em determinada empresa”. O fato é que não podemos nos apaixonar na hora de investir. Há muitos outros comportamentos que poderiam ser mencionados. O certo seria olharmos somente os números e tomar uma decisão plenamente racional. Mas, nesse caso, não seríamos plenamente humanos.

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