Estadão
Estadão

Investidor não visa lucro para ‘vaquinha virtual’ de empresas

Segundo pesquisa, antes de colocar dinheiro em uma campanha, brasileiro precisa enxergar impacto social no projeto

Vivian Codogno, O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2016 | 05h00

Semelhante ao financiamento coletivo para causas e produtos, o equity crowdfunding chegou ao Brasil como uma alternativa de arrecadação para startups em desenvolvimento e que ainda têm acesso restrito a rodadas de investimento. Por se tratar de uma oferta pública, as captações por essa via são regulamentadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), pela instrução CVM 400. Para facilitar essas operações, a CVM simplificou o processo para captações de até R$ 2,4 milhões – desde que as empresas faturem até R$ 3,6 milhões.

Aliado direto de soluções que envolvem economia criativa, para a maioria dos investidores com foco em startups por aqui o impacto social positivo da empresa é tão importante quanto o eventual retorno financeiro da iniciativa em questão. Ao optar por colocar capital em alguma startup por meio de equity crowdfunding, 54% dos investidores avaliam se a iniciativa contribui com o ecossistema em que vai operar.

Na Broota, plataforma de arrecadação que forneceu os dados para a pesquisa “Investidores de Equity Crowdfunding”, o valor do investimento pretendido ainda é inferior a R$ 10 mil mas, de acordo com Frederico Rizzo, cofundador do site, esse montante tende a aumentar conforme cresce o ecossistema de investidores. No Brasil, essa comunidade é formada essencialmente por empreendedores em série que reconhecem a necessidade do capital embrionário. “Essas pessoas entendem a importância de retribuir para o ecossistema e têm interesse genuíno em se conectar com inovações, em especial àquelas com impacto positivo”, afirma Rizzo.

Rizzo acrescenta que outro ponto que fica evidente é a carência de informações sobre o equity crowdfunding. “O investimento em empresas de capital fechado, o chamado private equity, sempre esteve restrito a investidores institucionais ou altamente qualificados. Isso reforça a importância de educarmos o ecossistema por meio de criação de conteúdos e eventos de capacitação”, salienta.

Diferente do financiamento coletivo tradicional, em que a pessoa que emprega seu capital no projeto recebe alguma recompensa física, no equity crowdfunding o investidor recebe, como contrapartida, um título de dívida, que pode ser convertido depois de um tempo determinado em ações da empresa apoiada.

É exatamente como fez, agora, o sistema de coworkings Impact Hub. A empresa acaba de finalizar uma campanha de captação de R$ 500 mil para a ampliação da sede paulistana. Para o empresário à frente do projeto, Henrique Bussacos, o equity formaliza de alguma forma investidores que já participavam da cadeia da empresa. “O fato de poder acessar crédito sem precisar de uma instituição financeira também é essencial para startups”, comenta.

Mais conteúdo sobre:
Economia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.