Investidor que alugou ação ganhou até 40% em 15 dias

Enquanto o papel quase vira pó, apostadores pagam até 700% ao ano para ter ação em carteira e altos retornos líquidos

JOSETTE GOULART, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2013 | 02h07

Quase virando pó. Esta é a realidade da ação da OGX neste ano, que perdeu 97% de seu valor até ontem. Quem vê o número a seco deste jeito tende a acreditar que todo mundo perdeu dinheiro. Engana-se. Um seleto grupo de investidores, que apostou na bancarrota da empresa com operações ousadas - e caras - de aluguel de ações, ganhou e muito dinheiro: retornos de até 40% em menos de 15 dias.

A operação, entretanto, não é trivial e é bastante arriscada. Tão misteriosa que nenhum corretor que aceita dar pelo menos algumas pistas de como elas acontecem quer aparecer em reportagens sobre o tema. Termos como "combo", preços de 700% de aluguel surgem com frequência nas conversas.

Basicamente a operação funciona da seguinte forma. O investidor que acredita que a ação vai cair na bolsa toma uma posição chamada "vendida", ou seja, vende o papel mesmo sem tê-lo para recomprar mais barato depois de um tempo, ganhando essa diferença. Mas as regras da bolsa de valores exigem que ele tenha o papel.

Então, para seguir a regra, o investidor aluga de quem está apostando na outra ponta, ou seja, na alta. E também daqueles fundos de investimentos que precisam replicar o índice Bovespa e que até ontem tinham que ter o papel em sua carteira.

Desde o anúncio de que não tinha o petróleo esperado, os papéis da OGX entraram em um elevador daqueles de parque de diversões, que despenca. Desde setembro, quando a bancarrota ficou mais evidente, muitos apostaram ainda mais fortemente contra a empresa e os preços do aluguel dispararam. Aqui é que o mistério começa, pois a bolsa só permitia que o preço do aluguel da OGX chegasse a 100% ao ano, sobre o valor do papel, até setembro, valor que foi elevado para 280% ao ano, há um mês. Mas com tanta gente querendo alugar, não tinha papel a essa taxa de 280%. Então, para poder cobrar mais caro, os alugadores começaram a vender "combos". O investidor alugava OGX e Petrobrás ao mesmo tempo. O aluguel da Petrobrás não é alto, mas ali os preços podiam ficar mais inflados, sem chamar atenção, em função da liquidez do papel. Os preços logo chegaram a 500% ao ano. Há quem diga, 700% ao ano. Parece muito, mas quem aceitou pagar esta taxa no início de setembro, pagou até ontem 40% de juros de aluguel. Do outro lado ganhou 67% na desvalorização. Ou seja, no líquido, foi 27% de rendimento. Houve ainda quem comprasse o papel a R$ 0,20 na semana passada, pagando aluguel de 280%. Ganhou 40%.

Para se ter uma ideia da quantidade de negócios feitos desta forma, até meados desta semana 23% do total negociado de papéis de OGX na bolsa estavam marcados com posição "vendida", ou seja, alugados.

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