Investidor sofre para vender ações

Vender ações tem sido difícil para boa parte dos pequenos acionistas de companhias telefônicas que compraram linhas pelos chamados planos de expansão. Os problemas são frutos das mudanças no sistema de telefonia fixa ocorridas nos últimos 30 anos.O exemplo mais comum é de quem se tornou assinante da antiga Telesp nos anos 80 e passou a ter direito a uma certa quantia de ações da holding Telebrás (criada em 1974). Com a privatização do sistema, em 98, o assinante passou a deter papéis de cada uma das 12 empresas resultantes de sua cisão. Em vista disso, os acionistas acabam encontrando dificuldades para buscar informações sobre suas posições acionárias. Além disso, a falta de uniformidade de critérios no cadastro dos novos clientes fez com que muitos deles ficassem com dados incompletos, ou até mesmo errados, na base de dados das empresas. O problema mais comum são erros de CPF ou de CNPJ. Neste caso, quando o acionista vai à empresa emissora de seus papéis, ou aos bancos que assumiram a custódia deles a partir 1998, é informado de que nada consta no número que apresentou.Instituição depositária deve solucionar problemasSegundo o gerente de divisão de negócios com ações do Banco do Brasil (atual responsável pelo cadastro da maioria das empresas da Telemar), Marconi Maciel, a instituição depositária deve procurar solucionar o problema, realizando a busca dos papéis através de outros dados, como filiação e endereço da linha telefônica. Se, mesmo assim, a pendência não for resolvida, o assinante deve solicitar uma pesquisa na empresa emissora.O Banco Real/ABN Amro Bank venceu a licitação para custodiar as ações das empresas de telecomunicações cindidas em 98. Segundo o gerente do departamento de ações da instituição, Nivaldo do Rosário Theodoro, o banco tem condições de saber, em qualquer caso, se um acionista possui ou não ações, bem como sua quantidade.Ele destacou que, por possuir o cadastro original da Telebrás, ir a uma agência do Real deve ser o primeiro passo para quem quer obter informações sobre ações. Entretanto, para determinar a que linha ou plano de expansão os papéis pertencem, o acionista deve procurar a companhia onde adquiriu seu telefone. Qualquer incompatibilidade de dados fica a cargo da empresa emissora resolver.Telesp e Telebrasília estão bloqueadasA Telesp e a Telebrasília convivem com uma dificuldade adicional. Elas foram as únicas a emitir ações ao portador, em que a posse de um título (também chamado de cautela) é a única prova dos direitos sobre os papéis.A gerente de orientação aos investidores da Comissão de Valores Mobiliários, Sheila Lima, explicou que, com a extinção das ações ao portador pelo governo Collor, esses papéis ficaram bloqueadas, cabendo aos acionistas a missão de liberá-los e convertê-los em nominativos. Ela alertou que, no caso de perda do papel, o único modo de reaver as ações é entrando na Justiça. De todo modo, ela faz um alerta: "Quem perdeu, perdeu. Neste caso, as ações são de quem achar a cautela".

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