Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Investidor tem oito dias para utilizar 'janela' de saques do Tesouro Direto

Quem quer vender títulos prefixados antes do vencimento deve fazê-lo antes do fim do ciclo de cortes na Selic

Jéssica Alves, O Estado de S. Paulo

07 Maio 2018 | 05h00

A oito dias de mais uma decisão na taxa básica de juros da economia, a janela para resgatar os títulos do Tesouro Direto prefixados com rentabilidade turbinada – antes do prazo de vencimento – está se fechando para o investidor. A expectativa é que este seja o último corte que o Banco Central fará na Selic até o fim de 2018. Além disso, espera-se uma alta da taxa ao longo do ano que vem. E, na lógica de mercado, os títulos prefixados tendem a se valorizar conforme os juros caem.

Isso acontece porque os títulos prefixados, ao contrário do que o nome sugere, têm uma flutuação entre a compra e o vencimento em função das condições de mercado e das expectativas quanto ao comportamento da política monetária.

Como exemplo, a economista Paula Sauer, professora do Ibmec, simulou o desempenho de um título LTN com taxa de 10,3% ao ano, comprado em 17 de março do ano passado e com vencimento em 1.º de janeiro de 2021. Caso o valor aplicado tenha sido R$ 1.000, e o investidor resolvesse antecipar o saque para última sexta-feira, receberia rendimento bruto de 16,03%. Descontadas taxas e impostos, o retorno líquido seria 12,97%, ou R$ 1.145,17.

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Os especialistas, no entanto, destacam que a estratégia de resgatar antes do vencimento só vale para quem pensa em migrar para um investimento mais rentável, como alguns fundos que mesclam renda variável e renda fixa (os multimercado), ou para quem precisa do dinheiro para alguma emergência. Do contrário, ressaltam que especular com o Tesouro pode gerar perdas e prejudicar o funcionamento do mercado.

Professor da Fecap, Joelson Sampaio explica que a rentabilidade informada no momento da compra do título é garantida somente se o investidor ficar com o papel até o vencimento. Vendendo o título antes, a rentabilidade poderá ser diferente. 

 

‘Janela’. No último ano, a Selic caiu pela metade, atingindo o nível de 6,5% ao ano. A previsão é que a taxa termine o ano a 6,25%. Essa janela de oportunidade está se fechando porque o mercado prevê que esse movimento de queda deva se encerrar nas próximas reuniões, com perspectiva de alta em 2019. 

A expectativa do mercado financeiro para a Selic ao fim de 2019 é de 8% ao ano. “O investidor que comprou lá atrás maximiza o retorno no fim desse ‘vale’ que forma o movimento da queda da taxa de juros. Se a taxa já aponta para subir, é o momento de se desfazer desse papel”, explica Bruno Carvalho, gestor de renda fixa da Guide Investimentos.

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O gestor da Guide lembra que muita gente comprou o Tesouro IPCA+ 2035, que paga a variação da inflação no período mais uma taxa prefixada. Há dois anos, isso significava uma taxa entre 6,5% e 7%; hoje, o mesmo título paga cerca de 5%. 

De acordo com Carvalho, da Guide, caso da Selic inicie um movimento de alta, os títulos pós-fixados, que acompanham a trajetória da taxa de juros, tendem a ganhar força.

O especialista diz, porém, que esse aumento da taxa de retorno pode ser aproveitado fora dos títulos públicos. Ele lembra que os papéis privados, emitidos por empresas, costumam remunerar acima do CDI, que é uma taxa balizada na Selic. “Se a economia tende a ir melhor, pode ser a hora de tomar pouco mais de risco no sentido de acreditar nas empresas, em vez de acreditar só no governo.” 

Seis por meia dúzia. Esse ajuste que ocorre nas taxas não quer dizer que o Tesouro hoje valha mais ou menos do que antigamente, porque a rentabilidade real permanece praticamente a mesma. Segundo explica Felipe Sotto-Maior, fundador da Vérios, isso ocorre porque a inflação caiu junto com as taxas de juros. 

Para Sotto-Maior, só faz sentido sair da aplicação se o investidor estiver disposto a buscar um rendimento maior, mesmo assumindo mais risco. “Se pensa em comprar outro título, vai trocar seis por meia dúzia”, diz.

Além disso, ele aconselha o investidor a pesar mais a própria situação financeira do que o cenário econômico ao fazer escolhas. Do contrário, alerta, a chance de erro é grande.

Como proceder. A venda pode ser realizada pela internet, das 18h dos dias úteis às 5h do dia seguinte. Nos fins de semana e feriados, a venda dos títulos pode ocorrer a qualquer momento. Em todos os casos, as transações são concluídas com os preços de fechamento de mercado, e o pagamento da venda ocorre no dia útil subsequente à venda.

Tipos de papeis:

Tesouro Prefixado (LTN)

Como funcionam?

São títulos com rentabilidade definida no momento da compra. O investidor sabe quanto irá receber se ficar com o título até o seu vencimento.

Quem deve comprar?

O investidor que acredita que a taxa prefixada será maior que a taxa básica de juros (Selic). 

Títulos indexados ao IPCA (NTN-B)

Como funcionam?

Têm rentabilidade vinculada à variação da inflação (IPCA), acrescida dos juros definidos na compra. Permite ao investidor obter rentabilidade real.

 

Quem deve comprar?

Quem quer fazer poupança de médio e longo prazos, inclusive para aposentadoria ou compra de casa.

Tesouro Selic (LFT)

Como funcionam?

Títulos pós-fixados, cuja rentabilidade segue a variação da Selic. Sua remuneração é dada pela variação da taxa diária entre a data de liquidação da compra e a de vencimento, acrescida de ágio ou deságio no momento da compra.

 

Quem deve comprar?

Aqueles que buscam baixa volatilidade, evitando, assim, perdas no caso de uma venda antecipada.

 

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