Investidor tenta influenciar gestão da construtora

Representante do fundo Rio Bravo forma grupo que tem 15% da companhia e tenta influenciar a gestão

O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2011 | 03h05

O investidor Guilherme Affonso Ferreira fez uma "via sacra" atrás dos acionistas da Gafisa nos últimos meses para captar percepções sobre a estratégia da companhia. A Gafisa tem capital pulverizado e o seu principal acionista, o fundo Black Rock, tem apenas 5% da empresa. Depois de bater na porta de diversos fundos de investimento, Ferreira formou um grupo de sócios que, juntos, detêm 15% da empresa e uma agenda comum para a companhia.

Ferreira é um investidor ativista, ou seja, compra fatias de empresas com ações pulverizadas para tentar influenciar sua gestão. Ele é conselheiro da Gafisa desde abril deste ano e representa o fundo de investimentos Fundamental, administrado pela Rio Bravo e dono de 2,5% das ações da Gafisa.

"Faltava à Gafisa uma proximidade com os acionistas. Os gestores de empresa precisam saber claramente o que os sócios querem", disse Ferreira.

Os fundos procurados concordavam que a Gafisa precisava se reestruturar e focar na geração de caixa, de acordo com o Ferreira. Há dois meses, na reunião do Conselho de Administração, os conselheiros decidiram que a empresa divulgaria sua nova orientação - de reduzir o volume de lançamentos e focar em segmentos com maiores margens - durante a divulgação do resultado do terceiro trimestre. Segundo ele, o projeto foi um consenso no Conselho.

A expectativa de Ferreira é que a composição acionária da Gafisa sofra alterações, mas sem deixar de ser pulverizada. O fundo da Rio Bravo pretende comprar mais ações da empresa e pode até mesmo dobrar a sua participação - para cerca de 5%.

Estima-se que, hoje, aproximadamente 80% dos acionistas da Gafisa sejam estrangeiros - fundos que seguiram o americano Sam Zell, que comprou uma fatia da empresa em 2005 e já vendeu as suas ações. / M.G.

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