Investidor tira o pé antes de safra de IPOs e giro encolhe na Bovespa

Sinais desencontrados da economia dos EUA, no fechamento da semana que antecede a chegada de um ciclo de ofertas de ações no mercado doméstico, produziram uma sessão volátil e de baixo giro na Bovespa.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

25 de setembro de 2009 | 18h22

Apoiado em ganhos das ações da Petrobras e de empresas do ramo imobiliário, o Ibovespa conseguiu se descolar da orientação negativa de Wall Street, fechando em alta de 0,52 por cento, aos 60.355 pontos.

Tal movimento, entretanto, pode ser relativizado, já que o volume financeiro da sessão foi de apenas 4 bilhões de reais.

Para profissionais do mercado, a combinação de giro fraco com a variação do índice revelou o estado de ânimo dos investidores. Se por um lado há a percepção de que há espaço para valorização, especialmente após duas sessões de realização de lucro, de outro a alta ainda superior a 60 por cento do Ibovespa no ano convida cautela.

"As ações estão bastante esticadas, principalmente no Brasil. Qualquer sinal de virada lá fora pode provocar uma realização mais forte aqui", disse Carlos Levorin, sócio da Grau Gestão de Ativos.

Pelo menos nesta sexta-feira, a luz amarela no exterior foi insuficiente para produzir na bolsa paulista o mesmo resultado que em Wall Street, cujos principais índices fecharam o dia no vermelho, a reboque de dados divergentes da economia dos EUA.

A queda inesperada das encomendas de bens duráveis e o crescimento decepcionante das vendas de novas casas em agosto ofuscaram o avanço na confiança do consumidor norte-americano em setembro para o maior nível em 19 meses.

Na bolsa paulista, entretanto, a influência maior do setor de commodities fez a diferença, num dia de variações pálidas nos preços das matérias-primas.

O pequeno avanço da cotação do barril do petróleo foi suficiente para que o papel preferencial da Petrobras, a mais importante do Ibovespa, subisse 0,9 por cento, a 34,11 reais.

Altas isoladas deram combustível adicional ao índice, como a do setor de construção civil, que respirou após duas sessões de perdas pesadas. Rossi Residencial foi a melhor do dia, subindo 4,1 por cento, para 14,59 reais.

O ramo varejista endossou o movimento, destacando-se no pregão depois que a Link Corretora elevou a recomendação para empresas do setor para "compra" em meio a melhores expectativas para o comércio varejista em 2010. Uma das recomendadas foi Lojas Americanas, que subiu 2,6 por cento, para fechar o dia valendo 11,52 reais.

IPOs

Para operadores, no entanto, além da expectativa em relação a novos dados econômicos no Brasil e no exterior, a chegada de novas ofertas de ações pode ter impactos no mercado à vista.

Tivit estreia no pregão da Bovespa na segunda-feira. Multiplan também está prestes a concluir sua oferta primária subsequente. Operações de outras companhias, como Cetip, Santander, Gol, Rossi Residencial, Direcional Energia, também disputam os recursos de investidores do mercado de ações doméstico.

(Edição de Paula Laier)

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