Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
Paul Yeung/WashingtonPost/Bloomberg
Paul Yeung/WashingtonPost/Bloomberg
Imagem Fábio Alves
Colunista
Fábio Alves
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Investidores aguardam PIB da China do 2º trimestre após recuperação do país desacelerar

Muitos atribuem perda de dinamismo da economia ao repique de casos de coronavírus em algumas regiões importantes do país

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2021 | 04h00

A atenção dos investidores mundo afora estará voltada à divulgação, amanhã, do desempenho do PIB do segundo trimestre deste ano na China, depois que os mais recentes indicadores de atividade mostraram uma desaceleração forte na segunda maior economia do planeta.

A China foi o primeiro país a entrar e também a sair da pandemia de covid, graças à adoção de severos lockdowns. Isso permitiu a retomada rápida da economia, a chamada recuperação em V. O país asiático foi a única das grandes economias mundiais a registrar crescimento positivo do PIB em 2020, de 2,3%. A retomada acelerada da economia chinesa impulsionou a demanda por matérias-primas, fazendo disparar os preços das principais commodities, como minério de ferro e soja.

Uma desaceleração mais forte da economia preocupa não somente os países emergentes produtores de matérias-primas, como o Brasil, mas também países desenvolvidos, como a Alemanha, com exportações de bens industriais de maior valor agregado, incluindo automóveis. Ou seja, um arrefecimento mais significativo da China terá consequências maiores para a economia global.

O sinal de alerta do mercado acendeu na sexta-feira passada, quando o banco central chinês (PBoC, na sigla em inglês) fez um anúncio surpresa de um corte em 0,5 ponto porcentual na taxa de compulsório bancário, o que teoricamente poderia incentivar a concessão de crédito.

Como ninguém estava esperando essa medida, a especulação sobre a possibilidade de o governo estar se antecipando a uma possível desaceleração maior da economia se espalhou rapidamente. A pergunta recorrente após o anúncio foi: o que tem de errado com a economia chinesa para o governo fazer uma redução inesperada do compulsório?

O consenso das estimativas dos analistas aponta para uma expansão de 8,0% do PIB, na taxa anualizada, no segundo trimestre, o que, se confirmado, ficaria muito aquém do crescimento recorde de 18,3% registrado no primeiro trimestre deste ano. Mas o temor é de que a economia siga perdendo fôlego nos próximos trimestres. Muitos analistas começaram a revisar para baixo suas projeções para o desempenho do PIB chinês para 2021.

Em junho, o banco inglês Barclays cortou sua projeção para o crescimento da economia chinesa neste ano de 9,4% para 8,4%, em razão, principalmente, da perda de fôlego no consumo. As vendas de automóveis na China caíram 5,1% em junho, em relação a igual mês de 2020, encerrando uma sequência de 11 meses consecutivos de crescimento.

Muitos atribuem a perda de dinamismo do consumo ao repique de casos de coronavírus em algumas regiões importantes do país. Pesquisas de confiança empresarial refletem bem a cautela no curto prazo. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da China, calculado pela IHS Markit/Caixin, recuou de 53,8, em maio, para 50,6 em junho, seu menor nível em 14 meses. Uma leitura acima de 50 ainda indica expansão dos setores industrial e de serviços. Aliás, o PMI do setor de serviços apresentou queda mais acentuada: de 55,1, em maio, para 50,3 em junho.

Outro indicador que chamou a atenção foi a forte desaceleração do lucro das grandes indústrias chinesas. Em maio, conforme dados do Escritório Nacional de Estatísticas, o lucro aumentou 36,4% em comparação a igual mês de 2020. Só que, em abril, esse crescimento foi de 57% em relação a um ano antes.

O fato é que a percepção do mercado em relação à China mudou de uma euforia no primeiro trimestre para um crescente pessimismo. Muitos analistas estão esperando uma decepção no resultado de vários indicadores nesta semana, além do PIB do segundo trimestre. Amanhã, saem as vendas no varejo e a produção industrial para o mês de junho.

Os analistas desconfiam que o BC chinês já estaria ciente desses resultados, os quais poderão vir aquém das expectativas do mercado. Em razão disso, surpreendeu a todos com o corte na taxa do compulsório bancário na semana passada.

Se, de fato, o desempenho do PIB no segundo trimestre vier abaixo do consenso das estimativas, é muito provável que as autoridades econômicas da China mudem de postura e anunciem novos estímulos fiscais.

O governo chinês havia apertado as políticas fiscal e monetária depois do desempenho recorde no primeiro trimestre para evitar um superaquecimento da economia. Mas não contavam com esse ritmo de desaceleração observado nos últimos indicadores.

*É COLUNISTA DO BROADCAST

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.