Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Investidores argentinos contestam venda da Petrobrás à Pampa Energia

Argumento é que as perdas foram decorrentes de corrupção e os bens deveriam ser mantidos em garantia até uma auditoria

Rodrigo Cavalheiro, correspondente, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2016 | 16h05

BUENOS  AIRES - Uma ONG argentina que representa investidores locais tenta bloquear a venda de 67% dos ativos da Petrobrás Argentina à Pampa energia, anunciada em maio. Representante de acionistas não profissionais prejudicados pela desvalorização da multinacional brasileira, a "Consumidores Financieros Asociación Civil para su Defensa" busca desde o ano passado uma indenização US$ 1 bilhão da Petrobrás. O argumento é que as perdas foram decorrentes de corrupção e os bens deveriam ser mantidos em garantia até uma auditoria.

Depois do anúncio em 3 de maio do negócio de US$ 892 milhões entre Petrobrás e Pampa, a ONG reforçou a ofensiva na Justiça e procurou a Comissão Nacional de Valores, repetindo as alegações. A tentativa não ganhou atenção da mídia local especializada no setor e especialistas ouvidos pelo Estado consideram remota a chance de êxito. 

A Consumidores Financieros especializou-se em ações coletivas contra companhias privadas e estatais na área de energia. A concretização da venda do braço argentino da Petrobrás prejudicaria, segundo a ONG formada por advogados e economistas, a tentativa de cobrar a indenização. Em outra frente, a associação abriu em 25 de abril uma denúncia na Procuradoria de Criminalidade Econômica e Lavado de Dinheiro, na qual acusa a Petrobrás de infringir o artigo 309 do Código Penal, que pune autores de transações fraudulentas.

À Broadcast, um funcionário ligado à direção da Pampa afirmou neste domingo, 5, que internamente se trata a manobra da ONG como um recurso "para recuperar algum dinheiro" de quem investiu em ações a Petrobrás, sem risco para o negócio. Analista do setor na região petrolífera de Neuquén, Roberto Aguirre opina que "denúncias deste tipo tendem a não ter sucesso".

Logo após o negócio, a Pampa lidou com o rumor de que havia sido apenas uma intermediária em um plano para revender os ativos à estatal YPF. Integrantes do PSDB consideraram baixo o valor do negócio, diante de uma perspectiva de valorização com a abertura na economia promovida por Mauricio Macri, e pediram investigação. A venda de ativos na Argentina e no Chile (US$ 490 milhões) foi uma das últimas decisões da diretoria antes do afastamento da presidente Dilma Rousseff. 

Em comunicado, a Pampa, empresa de Marcelo Mindlin, negou na semana passada ter um plano de revenda. Pela transação, a empresa ficará com poços de petróleo, uma refinaria, duas centrais térmicas e hidroelétrica, plantas petroquímicas e uma rede de 100 postos de gasolina, dos quais a marca Petrobrás desaparecerá depois de 180 dias. 

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