Investidores avaliam decisão do Copom

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manutenção das taxas de juros em 16,5% ao ano é vista pelos investidores como uma atitude de cautela diante do repique de inflação registrado nas últimas semanas. De acordo com analistas, o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), referente a julho, que ficou em 1,61%, saiu acima das expectativas e teve forte influência na decisão do Comitê.O mercado financeiro inicia o dia avaliando a decisão do Copom e definindo estratégias para o próximo mês. Com a colocação do viés neutro, a taxa de juros ficará estável em 16,5% ao ano até a próxima reunião do Comitê, marcada para os dias 19 e 20 de setembro.O mercado de juros já antecipou, em parte, a manutenção da taxa. Ontem no final do dia, os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagavam juros de 17,030% ao ano, frente a 16,890% ao ano registrados na terça-feira. No início dessa manhã, os contratos pagavam juros de 17,160%. Falta recursos para mercado acionárioA manutenção das taxas de juros também será avaliada pelos investidores do mercado de ações. O pregão de hoje na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vai sinalizar a tendência para os próximos dias. Há pouco, a Bovespa operava em queda de 0,28%. Na opinião dos analistas, o que mais dificulta o bom desempenho da Bolsa atualmente é a falta de recursos, tanto brasileiros como estrangeiros. Apesar dos bons indicadores da economia do País e da tendência de queda das taxas de juros, o mercado de ações ainda é está pouco atraente para os investidores. Prova disso é a saída de capital estrangeiro. Até o dia 18 de agosto, a Bolsa registrou uma fuga de investimento estrangeiro no valor de R$ 669,80 milhões. De acordo com analistas, as perspectivas de entrada de dinheiro novo não são boas. O adiamento da aprovação da nova Lei das S.A.s, que impõe novas regras para a melhoria do tratamento ao acionista minoritário, dificulta ainda mais a entrada de novos recursos. A Câmara dos Deputados adiou ontem a votação e deve decidir nova data apenas depois das eleições de outubro. No mercado de câmbio, a expectativa é de que a manutenção da Selic tenha um impacto menor do que em outros mercados. Assim como nas últimas semanas, é o fluxo de investimento que deve definir a cotação da moeda norte-americana. No início da manhã, a cotação do dólar esta em R$ 1,8200 na ponta de venda dos negócios. Ontem, fechou cotado a R$ 1,8230 nos últimos negócios do dia.

Agencia Estado,

24 de agosto de 2000 | 10h18

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