Investidores buscam tecnologia e design europeus

Empresas chinesas já fizeram aquisições importantes no Reino Unido, Alemanha, Itália e até no Leste Europeu

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2011 | 00h00

GENEBRA

O interesse chinês pela Europa vai muito além de aproveitar países à beira do colapso para impor seu avanço e adquirir uma parcela das finanças dos governos. A meta é obter acesso a mercados e comprar o know-how europeu em tecnologia e design, adicionando valor à produção.

A UE é o maior mercado de exportações da China e os acordos darão um acesso ainda maior para os produtos chineses. Em 2007, estavam instaladas na Europa 253 empresas chinesas. Hoje, o número triplicou.

"Só no Reino Unido existem mais de 420 empresas chinesas investindo", afirmou Stephen Phillips, diretor da Câmara de Comércio China-Reino Unido. Muitas dessas empresas chegaram para tentar aproveitar o fluxo de obras com os Jogos Olímpicos de 2012 em Londres.

No ano passado, a empresa de automóveis Changan abriu um centro de pesquisas em Nottingham e o governo britânico admite que vai considerar a introdução de trens de alta velocidade da China no sistema ferroviário mais antigo do mundo.

Se há 150 anos eram os ingleses que desbravavam continentes estabelecendo linhas de ferro, agora esse cenário pode mudar, com a China fornecendo os trens que milhões de ingleses usarão para ir trabalhar.

A empresa de autopeças Asimco passou a operar a partir de Midlands. Em Oxford, foi a Lifan Auto que montou um centro de pesquisa e desenvolvimento. A Huawei, maior empresa de equipamentos de telecomunicações da China, abriu instalações no sudeste da Inglaterra, contratando 750 funcionários. Isso sem contar com a compra pela Nanjing Automobile da MG Rover. No setor financeiro, os chineses já adquiriram 3,1% das ações da Barclays.

Na Alemanha, os investimentos chineses já passam de 1 bilhão e o avanço do gigante asiático também ocorre no Leste Europeu. O grupo industrial chinês Wanhua comprou neste ano a empresa húngara BorsodChem por 1,2 bilhão. "Os investimentos chineses na Europa terão um papel importante na recuperação da economia da região", comemorou o ministro do Desenvolvimento da Hungria, Tamas Fellegi.

Itália. Patinando e sem conseguir sair plenamente da crise, a Itália dá sinais de que receberá os investimentos chineses de braços abertos, apesar dos protestos locais. No fim de 2010, o governo de Roma iluminou o Coliseu de vermelho para homenagear as autoridades chinesas que faziam uma visita de negócios. A meta dos governos chinês e italiano é a de estabelecer um fluxo de mercadorias de US$ 100 bilhões em quatro anos, mais do dobro do valor atual. Já são 68 empresas chinesas investindo na Itália e as negociações apontam para um aumento importante nos próximos meses.

A Chongqing Lifan (motocicletas) e Enhalor (químicos) indicaram que vão investir no país. No ano passado, a chinesa Zoomlion pagou US$ 500 milhões pela Cifa, do setor de maquinário. A chinesa Haier abriu sua primeira fábrica no norte da Itália e o objetivo é de ser, até 2014, a quinta maior produtora de eletroeletrônicos da Europa.

A área têxtil, na qual os italianos são vistos como líderes em design e qualidade, também é alvo do interesse chinês. A Wenzhou Hazan comprou a tradicional marca italiana Wilson e a Zhejiang Xiongfeng também busca oportunidades.

No setor automotivo, empresas chinesas querem ocupar as fábricas que a Fiat tem abandonado por conta de corte de custos. A Fiat fechou a produção no sul da Itália e as chinesas Taihe e Chery apontaram que estão interessadas no local.

Investimentos

420

empresas chinesas operam no Reino Unido

68

fábricas chinesas estão na Itália

1 bilhão de euros

foi aplicado na Alemanha

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