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Investidores concluem menos de um terço de negócios nos BRIC, diz pesquisa

Estudo de consultoria diz que falta de informações e 'incertezas' seriam as causas.

BBC Brasil, BBC

16 de outubro de 2007 | 06h00

Um estudo realizado pela consultoria Ernst & Young concluiu que menos de um terço dos negócios promovidos por investidores externos nos países do BRIC (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia e China) se concretizam.A pesquisa, que ouviu mais de 300 executivos de 95 empresas em 15 países, revelou que de um universo de 693 tentativas de empreendimentos feitas nestes mercados emergentes, apenas 198 se materializaram. O relatório, que não detalhou quando a pesquisa foi realizada e não apresentou dados separados por país, mostrou que 83% dos entrevistados concentram seus esforços em buscar oportunidades de investimentos nos BRIC, mas disseram que seu nível de satisfação com a conclusão dos negócios é "moderado". Numa escala de 1 a 4, o nível de satisfação dos empresários foi de 2,7. O estudo apontou "incertezas políticas" e a falta de informações sobre o mercado financeiro como principais obstáculos para concretização dos negócios."As equipes de negociação ficam freqüentemente decepcionadas com os resultados das transações feitas em mercados emergentes porque falham ao conseguir aliar suas estratégias com certas táticas locais que são necessárias para fechar os negócios", analisa Dave Read, vice-diretor do departamento de consultoria para transações da Ernst & Young."É imprescindível entender que as transações nos mercados emergentes têm grande potencial para serem atrapalhadas por ciladas políticas e culturais. Mas é importante saber que estas armadilhas podem ser superadas".A consultoria aconselha que as empresas estrangeiras reúnam um grande leque de informações sobre todos os aspectos do mercado antes de investir e "estabeleçam alianças com governo e agências reguladoras, empresas do ramo e consultores de mercado"."É importante investir tempo e energia na pesquisa de todos os aspectos do mercado antes de tentar algum negócio. Com isso será possível entender a fundo os aspectos políticos para, então, trabalhar com eles".Segundo o estudo, os entrevistados relataram que "feriados religiosos e nacionais" foram um fator que causou atrasos na concretização de projetos. Os aspectos culturais seriam "um outro entrave que requer dedicação de tempo e energia" por parte dos investidores para entender a dinâmica e o ritmo de negociação de cada país."Culturas como as da Índia e da China não entram de cabeça nas discussões, como na América do Norte. É preciso muito tempo para construir relacionamentos antes de começar a falar sobre negócios", avalia o relatório, acrescentando que problemas com a língua são um outro obstáculo.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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