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Investidores de private equity põem foco em projetos sustentáveis no País

Segundo analistas, é crescente a demanda do segmento por esses produtos, mas oferta no mercado ainda é considerada insuficiente

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2020 | 05h00

Liquidez continua sendo a palavra de ordem no mercado financeiro, e no segmento de private equity o fenômeno é o mesmo. A diferença é que, para esses gestores com cacife para grandes investidas e negócios bilionários, a demanda por projetos de impacto social e ambiental tem carimbado o dinheiro.

ESG (meio ambiente, responsabilidade social e governança, na sigla em inglês) é tendência latente no private equity”, diz Cristiano Boccia, sócio do Bela Vista Investimentos, fundo que administra cerca de US$ 100 milhões. E não são só novas empresas que têm apresentado discurso alinhado a esses ideais para atrair investimentos. Grupos tradicionais também dão passos nessa direção para captar novos recursos.

É o caso da Wessel, empresa que produz hambúrgueres e cortes especiais de carne, que viu um de seus donos, Istvan Wessel, de 74 anos, se juntar à filha, Titi Wessel, para lançar uma startup de hambúrgueres feitos de plantas.

A ideia conquistou o fundo Bela Vista, que investiu no negócio. Segundo Boccia, a vantagem de investir em negócios do tipo é pragmática: encontrar “empresas mais sólidas e que geram mais retorno”.

o diretor da gestora de private equity Signal Capital, Ricardo Fernadez, projetos que respeitam critérios de ESG trazem menos risco para a carteira. “Tem muita gente se movimentando para isso, para investir em projetos de impacto em saúde, comunicação e saneamento, por exemplo”, diz. Ele diz que o movimento vem tanto de novas empresas quanto de projetos em empresas já tradicionais, que passaram a perceber a importância de falar ao investidor sobre esses temas.

“Existe liquidez, demanda e interesse”, afirma Fernandez, para quem o conceito é mais popular no setor de private equity, mas é questão de tempo até se tornar relevante também no segmento de varejo.

Abertura de capital

“A gente sabe que tem bolso, o que falta é produto. Toda vez que chega demanda com apelo de impacto e ESG temos dado atenção adicional para ver se se encaixa como produto vendável para investimento”, diz Guilherme Avila, responsável pela área de investment banking da XP.

Ele diz que praticamente todas as companhias com as quais conversou nos últimos meses para abertura de capital têm destacado movimentos de sustentabilidade em seus planos.

“O investidor é atento a isso e, na hora de escolher entre empresas semelhantes, vai olhar para esses pontos”, diz Avila. “Vale para investidores institucionais, pessoas físicas ou estrangeiros”, complementa.

A diretora executiva de ESG e Desenvolvimento de Negócios da XP, Marta Pinheiro, diz que o maior interesse dos investidores de private equity em sustentabilidade, impacto social e governança se deve ao acesso a informação que esse público tem.

Investidores de varejo ainda não conhecem tão bem esses critérios e seus benefícios, além de terem receio de que a liquidez mais baixa de alguns desses ativos retenha uma parcela significativa de seus recursos. 

“O conhecimento sobre essas práticas foi mais difundido neste ano”, diz. Ela cita outras companhias antigas que têm buscado se transformar. “Ambev é um caso de empresa que tem buscado inovação, startups e mudanças nos processos produtivos; Klabin e Suzano também estão olhando para um manejo sustentável (na cadeia de celulose e papel). São algumas empresas com as quais conversamos”, diz.

“Quem se prepara para o futuro, com novos produtos ou revisão de estratégias, está se movimentando. Se você quer que seu negócio seja perene, é preciso estar atento a como ele evolui”, afirma Marta.

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