Investidores deveriam se preocupar com Brasil, diz jornal

O jornal Financial Times, em editorial publicado hoje com o título "Risco Brasil", afirma que ao se julgar o comportamento errático da Bovespa nos últimos dias, "os investidores não parecem ser capazes de tomar uma decisão sobre a importância do recente escândalo de corrupção" que atinge o governo liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Qualquer que seja o veredicto final, há motivos para se preocupar com as perspectivas de médio prazo do País", disse o diário financeiro.Segundo o FT, o escândalo do mensalão ocorreu numa má hora pois a economia está começando a se desacelerar. Mesmo que as acusações não sejam comprovadas, diz o jornal "o fato de haver uma disputa faz com que a aliança (governamental) pareça muito mais frágil do que era". No mínimo, ela indica que os "os gerentes políticos do governo perderam a habilidade que exibiram quando pilotaram através do Congresso a série de reformas em 2003 e 2004".O jornal observa que já era previsto que novas reformas necessárias para consolidar os progressos dos dois primeiros anos não seriam facilmente aprovadas num ano pré-eleitoral, "mas agora elas parecem completamente fora de questão". O presidente Lula, acrescenta, ainda é o favorito para a eleição de 2006, mas seu sucesso já não parece tão sólido como a alguns meses atrás. "Na verdade, os índices de popularidade do presidente têm caído nas recentes pesquisas e ele necessita urgentemente recuperar a iniciativa política", disse. Segundo o FT, nada disso significa que o Brasil provavelmente mergulhará no tipo de crise que quase o levou à falência há três anos. "Mas isso ocorre parcialmente porque as circunstâncias externas têm sido muito favoráveis", disse.Entretanto, alerta o jornal, o País está perdendo uma oportunidade valiosa para reduzir sua vulnerabilidade externa. O nível da dívida continua muito elevado para oferecer uma situação confortável. Mesmo embora a dívida vinculada ao dólar tenha sido reduzida, uma parte grande demais ainda está ligada às taxas de juros de curto prazo."Os investidores mais panglossianos (otimistas) podem ainda acreditar que a terra com status de grau de investimento está logo após a próxima esquina", disse. "Mas sem maior coerência no sistema político brasileiro, essa meta vai continuar fora de alcance."

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