Investidores esperavam Copom mais conservador

O Comitê de Política Monetária (Copom) acaba de divulgar sua decisão sobre o novo patamar da taxa básica de juros - Selic: 17,5% ao ano com viés de baixa (ver matéria relacionada no link abaixo). No fechamento, antes do anúncio, os juros ficaram em 19,45% ao ano (19,51% ao ano ontem), tomando como base negócios no swap prefixado de 252 dias úteis. A aposta majoritária do mercado continuava idêntica à da sexta-feira: manutenção da taxa em 18,50% ao ano, mas com viés de baixa, o que significa uma autorização prévia do Copom para o presidente do Banco Central reduzir a taxa quando julgar conveniente. Até hoje, o viés estava neutro, ou seja, essa autorização não existia. Com isso, o corte, que se esperava para depois do resultado das reuniões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), marcada para amanhã, ou até do banco central norte-americano (FED), nos dias 27 e 28, já ocorreu. Ao longo dia, ainda, ganhou um pouco mais de espaço a tese de que o Copom poderia baixar um pouco a Selic para 18,25% ao ano, mantendo o viés neutro. O mercado viveu a maior parte da terça-feira em franco otimismo, com redução expressiva de todas as projeções de juros. O mesmo não se apostando numa queda tão forte como a que se anunciou. Esse entusiasmo refletiu-se no leilão de títulos prefixados (veja mais informações na matéria relacionada no link abaixo). Quarta-feira agitada em todos os mercados. Bolsas devem subir.Após o anúncio do Copom, o desempenho do dólar dependerá da interpretação dos investidores estrangeiros. Taxas de juros mais baixas podem ser menos atraentes, forçando uma fuga de investidores, o que elevaria a cotação da moeda norte-americana. No entanto, se a interpretação for a de que a economia está se recuperando e de que a queda dos juros tem base no desempenho real da economia brasileira, o dólar pode cair, pois o Brasil estaria mais atraente.De qualquer maneira, o Banco Central vinha se mantendo conservador até agora, com uma taxa de juros acima da necessária, considerando-se o nível de inflação, justamente pelo receio de que uma redução nas taxas de juros pudesse afastar o investimento estrangeiro. Isso prejudicaria o fluxo de dólares para o Brasil, provocando uma pressão de alta da moeda norte americana. Desempenho das bolsas no dia Não fosse o desempenho de Telesp PN - ações preferenciais, sem direito a voto - de queda de 2,58% no pregão regular, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teria fechado em alta nesta terça-feira. A ação foi afetada pelo comportamento da sua controladora, a Telefónica de Espanha, que caiu 0,47% em Madri e de 2,61% em Nova Iorque. Como Telesp tem o maior peso individual no Ibovespa (cerca de 11%), a Bolsa paulista fechou em baixa de 0,04%. O volume financeiro total do pregão paulista somou R$ 824 milhões, sendo que Telesp foi responsável pelo giro de R$ 147 milhões. Preço do dólar cai 0,17% O mercado de câmbio não esquece que a balança comercial continua mostrando resultados fracos e que o preço do petróleo ainda está alto. Mas esta terça-feira reservou momentos mais promissores em relação ao cenário doméstico e o dólar acabou registrando baixa de 0,17% no horário de fechamento, cotado a R$ 1,8010.Logo de manhã, o repórter Gustavo Freire informou que o governo brasileiro estava captando o equivalente a 750 milhões de euros com a colocação de papéis de cinco anos e um prêmio de 9% ao ano. Os recursos deverão entrar no País em torno do dia 5 de julho. O BC ressaltou em nota que as condições deste lançamento foram melhores do que os da captação feita em 9 de setembro do ano passado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.