Investidores estão migrando para titulos brasileiros

Investidores estrangeiros dedicados a mercados emergentes estão migrando para os títulos da dívida do Brasil, incentivados por notícias positivas dos fundamentos da economia brasileira, como o superávit do setor público em janeiro anunciado hoje de 7,01% do PIB. Segundo gestores de fundos de países emergentes, essa migração de recursos para o Brasil vem dando suporte à alta recente dos C-bonds, que hoje bateu 74 centavos de dólar. De acordo com Dario Pedrajo, gestor senior de portfólio da Biscayne Americas Advisors, que administra US$ 400 milhões em fundos de mercados emergentes, está havendo uma rotação na alocação de ativos por parte de investidores dedicados, que vêm abandonando países que tiveram desempenho melhor no ano passado, como Rússia e Turquia. "Vínhamos argumentando com os investidores que os spreads dos títulos da dívida brasileira não estavam de acordo com os fundamentos brasileiros, principalmente se compararmos a taxa de risco do Brasil com a Turquia, que é outro crédito de grande liquidez com nota de risco soberano na categoria B e que é negociado a 750 pontos-base acima dos títulos do Tesouro norte-americano, mas que tem fundamentos bem piores do que o Brasil, cujos spreads estão por volta de 1.250 pontos-base", explicou Pedrajo à Agência Estado. Ele estima que há ainda um grande potencial de alta para os títulos brasileiros, especialmente se o governo continuar apresentando um bom desempenho de indicadores econômicos (como a balança comercial e contas fiscais) e trilhando o caminho de políticas econômicas sólidas, como o avanço nas reformas estruturais. "Os spreads dos títulos brasileiros poderão cair para 950 pontos-base ou 1.000 pontos-base na metade do ano, o que refletiria num preço do C-bond por volta de 81,5 centavos. Mas essa queda nos spreads, e a consequente alta no preço dos títulos, poderá acontecer mais rapidamente do que o esperado", afirmou Pedrajo. Para ele, os títulos da dívida estão refletindo a melhora no sentimento em relação aos fundamentos da economia brasileira que ainda não foi captado pelo mercado de câmbio. Segundo Ruggero de Rossi, gestor de fundos de mercados emergentes da Oppenheimer Funds, que aplica cerca de US$ 2 bilhões em mercados emergentes, os investidores estrangeiros estão migrando para o Brasil em busca de ativos que proporcionem maiores retornos. "O Brasil está se beneficiando de alguns fatores, como o maior atraso de uma guerra contra o Iraque. Com isso, os investidores procuram ativos com maior retorno e os mantêm em carteira até se e quando ocorra o início de um conflito militar. Nos mercados emergentes atualmente, Brasil e Equador oferecem os maiores yields (taxa de retorno), mas o Brasil é o único país que tem maior capacidade de pagar a dívida entre os países considerados no mesmo espectro hoje, como Uruguai e Venezuela", explicou Rossi. Lua-de-mel de Lula com o mercadoOutro fator que vem ajudando os preços dos títulos brasileiros, atraindo os investidores, é o período de lua-de-mel do mercado com o governo Lula. Para o gestor da Oppenheimer Funds, os spreads da dívida brasileira poderão cair até 900 pontos-base com o fim de um conflito militar e seu efeito sobre o sentimento de aversão ao risco. "Se a guerra começar, os spreads podem dar um salto temporário, cedendo com o fim do conflito para o nível de 900 pontos-base", afirmou Rossi. "Contudo, para que os spreads se mantenham em queda após o fim de uma guerra será preciso que o governo Lula implemente as políticas que vem prometendo, como a aprovação das reformas da Previdência e tributárias, entre outras", acrescentou. De toda maneira, Rossi acredita que o nível atual de 1.250 pontos-base da taxa de risco do País não é justificável em comparação com a taxa de risco de outros mercados emergentes. "Mas o Brasil precisa aprovar as reformas, senão as preocupações de longo prazo com a economia do País devem continuar", afirmou Rossi.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.