Investidores europeus estão temerosos com AL

Até mesmo para aqueles analistas que já vinham alertando que a América Latina despencou nos últimos meses na lista de prioridades dos investidores europeus, a sessão de abertura do congresso Euromoney Bond Investors, realizada hoje em Londres, não deixou de surpreender. Como parte da tradição do evento, que é promovido anualmente pela revista Euromoney, cerca de mil investidores e gerentes de portfólios de bônus do velho continente participaram de uma votação eletrônica, indicando as suas prioridades e expectativas para os próximos doze meses. Quando questionados qual a classe de ativos que deve apresentar a melhor performance em 2002, os mercados emergentes, com 32% dos votos, foram os preferidos. Mas aos escolherem quais desses mercados oferecem as melhores perspectivas para 2002, apenas 6% dos participantes indicaram a América Latina, uma resultado apenas superior ao da África (3%) e do Oriente Médio (5%). Os países da Europa Central e Turquia foram os preferidos, com 44% dos votos, seguidos pela Rússia (42%).Para alguns analistas, o resultado dessa eleição informal reflete parcialmente o fato de que os investidores europeus em bônus estão tradicionalmente voltados para as economias emergentes do leste europeu, ainda mais agora com a proximidade da inclusão de alguns países da região na União Européia. Além disso, o impacto da crise argentina e outros pontos de instabilidade política e econômica na América Latina ajudaram a elevar a aversão ao risco da região nos últimos meses. O chefe do departamento de pesquisa de renda fixa e economia do Credit Suisse First Boston, Giles Keating, admite que o temor de um "contágio financeiro ou econômico", contribui para reforçar a aversão à América Latina, mas não considera isso hoje como um fator preponderante. "O mercado já está há um bom tempo ciente dos problemas argentinos, que são específicos daquele país. Hoje em dia cada país é julgado por seus próprios méritos", disse ele.Segundo ele, uma das explicações para o atual comportamento dos investidores pode ter raízes geopolíticas. Desde os ataques terroristas de 11 de setembro, os Estados Unidos alteraram a sua lista de prioridades internacionais, passando a se concentrar em países ou regiões consideradas estratégicas, principalmente do ponto de vista militar, como a Turquia. "Os tempos nos quais a América Latina era o foco dos Estados Unidos acabaram", disse Keating. "E os investidores tendem a seguir a geopolítica nas suas decisões."Já o economista chefe da Moody´s Investor Service, John Lonsky, observou que apesar de a Argentina representar " um grande problema", o México, em contraste, apresenta um quadro muito positivo. Ele admite, no entanto, que a economia mexicana é cada vez mais identificada com os parceiros do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), Estados Unidos e Canadá, se distanciando do restante da América Latina.

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