Investidores ganham mais com prêmio de papéis da dívida de emergentes

A dívida de países emergentes ofereceu nos últimos 14 anos os retornos anuais mais altos aos investidores quando comparada a qualquer classe de ativo de renda fixa denominado em dólares, segundo um levantamento elaborado pelo banco Merrill Lynch. Desde a criação dos índices da dívida emergente, há 14 anos e seis meses, esses ativos têm rendido um retorno anual médio de 12,9%. "Os títulos emergentes têm superado outras classes de dívidas, não apenas desde sua concepção, mas também quando a comparação é feita com base em qualquer outro período histórico, como um dois anos, três anos etc", explicaram Jane Brauer e Dany Naierman, analistas do ML.Eles observam, no entanto, que as ações de emergentes registraram nos últimos anos um desempenho ainda mais positivo do que a dívida desses países. "Apesar da recente volatilidade, os retornos nos quatro anos anteriores a maio passado foram tão graúdos, que as ações emergentes ofereceram o maior retorno cumulativo nos últimos um, dois, três, ou cinco anos, melhor até mesmo do que qualquer dívida emergente", disseram. Nos últimos cinco anos, as ações emergentes produziram um retorno anual de 21,5% comparados aos 12% acumulados pelos títulos da dívida desses países no mesmo período.Retorno Desde a criação dos índices para a dívida emergente, em 1992, os títulos dos países asiáticos ofereceram um retorno acumulado de 13,20%, seguidos pelos bônus latino-americanos, com 12,20%. Nos últimos dois anos acumulados, a dívida latino-americana se valorizou 14,90%, seguida pela dos emergentes asiáticos (12,20%) e dos países da Europa emergente (9,9%).Brauer e Naierman observam que isso ocorreu apesar da crise do peso mexicano em 1994, da crise asiática em 1998,da desvalorização do real em 1999, da moratória argentina de 2001 e da crise financeira no Brasil em 2002. "Os investidores que procuram ativos de elevado retorno vão continuar olhando para essas classes de ativos que oferecem lucros graúdos menos em tempos ruins", afirmaram os analistas. "O histórico para a dívida emergente é excepcional."Eles observaram que o fato das letras do Tesouro continuarem oferecendo retornos historicamente baixos "escora e parcialmente explica os fluxos substanciais direcionados para a dívida emergente ao longo dos últimos anos, como também a resistência e rápida recuperação após períodos de turbulência".O estudo do ML afirma que a dívida emergente tem uma correlação fraca com as letras do Tesouro dos Estados Unidos, e também com a dívida corporativa e as hipotecas mobiliárias norte-americanas. A maior correlação da dívida emergente ocorre com o mercado de `high yield" dos Estados Unidos.

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