Marcos Correa/PR
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Investidores internacionais reunidos com Mourão representam grupo de US$ 4,6 trilhões em ativos

Representantes de fundos internacionais querem saber que ações o governo tem adotado para reduzir o desmatamento

Fabrício de Castro, Julia Lindner, Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2020 | 17h09

Brasília – Parte da pressão internacional para que o governo brasileiro tome medidas contra o desmatamento da floresta amazônica pode ser medida em números. Sob a liderança da Storebrand Asset Management, uma das maiores companhias da área de seguros da Noruega, o grupo completo reúne um total de 34 megainvestidores de dez países, com ativos na ordem US$ 4,6 trilhões.

A reunião por videoconferência desta quinta-feira com o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, e com ministros do governo Bolsonaro contou com a presença de representantes de dez destes investidores, que juntos administram cerca de US$ 3,24 trilhões em ativos. Apenas a Legal and General Investment Management (LGIM), do Reino Unido, tem uma carteira no valor de US$ 1,51 trilhão.

Também participaram da reunião com Mourão representantes da japonesa Sumitomo, das suecas AP2, SEB e Nordea, das holandesas Robeco e NN, da norueguesa KLP e da canadense BlueBay. No encontro, as companhias buscaram ouvir as explicações do governo brasileiro sobre o atual estado da preservação ambiental no País.

Em 23 de junho, o grupo de investidores internacionais enviou uma carta ao governo brasileiro expressando “profunda preocupação” com o aumento do desmatamento no Brasil.

Hoje, 9/7, Mourão e ministros do governo Bolsonaro – entre eles o do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e a da Agricultura, Tereza Cristina – realizaram a videoconferência como o objetivo de tratar das questões ambientais com os investidores.

Em coletiva após a videoconferência, Mourão e os ministros procuraram defender as ações do governo na área ambiental. Ao mesmo tempo, disseram que as críticas internacionais sobre a derrubada na floresta no País refletem interesses comerciais e disputas geopolíticas.

Em nota divulgada após a videoconferência, os investidores internacionais disseram estar interessados em saber a posição do governo brasileiro sobre a proteção do capital natural do País, principalmente das florestas tropicais. Eles afirmaram ainda que o que foi passado pelos representantes do governo brasileiro foi anotado e que, daqui para frente, vão acompanhar o “desenvolvimento” das ações, com base em cinco questões principais. 

Nesta lista estão a redução “significativa” das taxas de desmatamento, a aplicação do Código Florestal brasileiro, a capacidade das agências de cumprir a legislação ambiental, a prevenção a incêndios e o acesso público a dados sobre desmatamentos.

“Estamos encorajados pela resposta inicial e pelo diálogo com representantes do governo brasileiro e esperamos sua continuação e resultados”, disse Jan Erik Saugestad, CEO da Storebrand, na nota divulgada pelo grupo. “Como instituições financeiras, vemos o desmatamento e os impactos associados à biodiversidade e às mudanças climáticas como riscos sistêmicos, com potencial para impactar negativamente os retornos.”

Neste momento, por trás do diálogo aberto pelo governo com os grupos internacionais está a preocupação em torno de investimentos no Brasil. Boa parte das companhias envolvidas tem hoje políticas explícitas voltadas para o investimento em ativos ou em países que buscam a preservação do meio ambiente.

Caso o Brasil não atenda a critérios internacionais de preservação, isso pode se refletir na retirada, por estes fundos, de recursos do País, hoje aplicados em títulos públicos ou em setores econômicos específicos, como o agronegócio.

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