Investidores já apostam em alta de 0,75 ponto do juro básico

Até quarta-feira, maioria acreditava que o BC elevaria a taxa básica em 0,50 ponto na reunião da próxima semana

Leandro Modé e Denise Abarca, de O Estado de S. Paulo,

24 de fevereiro de 2011 | 23h00

Os investidores do mercado futuro de juros mudaram ontem a avaliação sobre o que fará o Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião da semana que vem. As apostas apontam agora para uma elevação do juro básico (Selic) de 0,75 ponto porcentual, para 12% ao ano. Até quarta-feira, a maioria dos investidores estava com 0,50 ponto.

Após o fechamento do mercado, o cálculo feito pelos operadores mostrava probabilidade de quase 60% em uma alta de 0,75 e pouco mais de 40% em uma elevação de 0,50 ponto. "É uma mudança impressionante de direção. Há uma semana, a aposta em 0,50 ponto era de 100%", afirmou um analista que pediu para não ser identificado.

Segundo ele, nos últimos dias, cresceram rumores de que o Banco Central (BC) pode dar uma "porrada" mais forte na Selic para, como se diz no jargão do mercado, ancorar melhor as expectativas de inflação. Em linguagem mais coloquial, significa dizer que o BC quer que o mercado pare de subir as estimativas para a inflação futura.

Há 11 semanas seguidas, o boletim Focus, síntese de uma pesquisa que o BC faz com o mercado, mostra expectativas em alta para a inflação em 2011. O relatório divulgado segunda-feira aponta um IPCA (o índice oficial do País) de 5,79%.

A meta é de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. A previsão para 2012 também está acima do centro da meta: 4,78%.

A maioria dos analistas acredita que um ritmo de elevações da Selic de 0,50 ponto porcentual por reunião é insuficiente para conter a escalada inflacionária. Daí a possibilidade de o BC promover uma alta de 0,75 ponto.

Os contratos futuros para abril de 2011 encerraram a 11,63% ao ano, ante 11,57% de quarta-feira. Os contratos para julho deste ano fecharam com 12,19%, em comparação com 12,04% do dia anterior.

Pessoas físicas. Segundo operadores, outra evidência de uma possível alta da Selic em 0,75 ponto na semana que vem foi o movimento de pessoas físicas na BM&F, que elevaram sua posição comprada em taxa de 2.365 contratos na quarta-feira para 10.660 ontem. Ou seja, esses investidores quadruplicaram, de um dia para o outro, a aposta em uma alta mais robusta da Selic.

A trajetória chamou a atenção, uma vez que, no passado recente, já houve algumas ocasiões em que a movimentação nos contratos de pessoas físicas na bolsa cresceu sobremaneira às vésperas de decisão do Copom, e sempre na direção "certa". Ou seja, o veredicto do BC acabava confirmando tais apostas de última hora. Com esse histórico, o mercado preferiu não pagar para ver.

Entre os economistas das instituições financeiras, o quadro de apostas para o Copom é diferente daquele das mesas de operações. Embora, em boa medida, os profissionais acreditem que seria recomendável que a Selic subisse 0,75 ponto, apenas três entre 52 instituições consultadas pela Agência Estado cravam a aposta, com 49 prevendo avanço de 0,50 ponto.

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