Investidores negociam ações com um clique

Usar a Internet para comprar e vender ações na bolsa tornou-se prática comum para muitos investidores. Desde 1999, quando a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) criou o mercado de home broker - sistema de negociação online de ações -, o segmento tem atraído milhares de investidores e gerado quantias da ordem de bilhões de reais. Somente no ano passado, os papéis negociados pela Internet na Bolsa paulista somaram R$ 3,06 bilhões, um volume de transações 40% maior que o registrado em 2000, quando foram movimentados R$ 2,183 bilhões.Segundo a assessoria de relações públicas da Bovespa, o desempenho do mercado virtual de ações tem se mostrado bastante satisfatório nos dois anos desde que foi implantado. O objetivo da instituição, ao estimular os negócios pela Internet, é popularizar a Bolsa de Valores.Não há muitas complicações para investir pela web. A Bovespa possui atualmente 53 corretoras cadastradas para operar no mercado de compra e venda online de ações. Os investidores precisam se registrar em alguma delas para começar suas transações. Na prática, fazer aplicações com o uso do computador significa transmitir, pela Internet, ordens de compra e venda de papéis negociados na bolsa. As corretoras cobram uma taxa de corretagem de, em média, 0,5% do volume transacionado, a mesma que em geral é descontada nas aplicações convencionais.Para escolher em que papéis investir, os investidores têm à disposição, nos sites das corretoras, o acompanhamento de inúmeros indicadores sobre as ações que circulam na bolsa, como cotações diárias das empresas, rentabilidade e risco dos papéis, resultados trimestrais e anuais do desempenho das companhias e gráficos explicativos.Na opinião do vice-presidente do site financeiro Patagon Brasil, Sérgio Kulikovsky, a característica principal do mercado de ações via Internet é o fato de que os investidores não contam com os conselhos e a ajuda de um corretor. "Com base no vasto volume de dados fornecido pelas corretoras, é o próprio cliente quem decide em que papéis aplicar o seu dinheiro". Sérgio conta que, no site de sua companhia, há uma média de 110 indicadores numéricos para cada tipo de ação.Na Novação, outra empresa do ramo, o analista de investimentos Mauro Giorgi destaca as muitas possibilidades de contato entre os investidores e a corretora. "Além de publicar no site as informações sobre o desempenho dos papéis da bolsa, organizamos seções de bate-papo para esclarecer dúvidas e encaminhar sugestões aos acionistas, respondemos às consultas por e-mail e agendamos conversas por telefone entre nossos clientes e os corretores".Giorgi destaca que as corretoras online têm desempenhado o papel de educar e estimular os investidores que só agora tomam contato com o mercado de compra e venda de ações pela Internet. "Todos nós ainda estamos aprendendo. E temos que continuar a despertar o interesse dos acionistas para que invistam pela web".Uma barreira que ainda intimida o crescimento dos negócios de ações pela Internet é o receio de certos investidores em relação ao sigilo e à segurança das informações transmitidas por computador. Mauro Giorgi dá a dica: "Desde que o cliente tenha certeza de que a corretora é registrada na Bolsa, pode aplicar seu dinheiro sem temor. A segurança é garantida pela Bovespa, os pagamentos são efetuados por depósitos online e não há risco de vazamento de informações". Sérgio Kulikovsky, da Patagon, diz confiante. "Os pequenos acionistas já se habituaram a investir pela Internet, confiam na segurança das transações".Ainda que o mercado online de ações seja mais ágil e mais rápido, um detalhe não deve ser esquecido: ao negociar na bolsa, o acionista sempre corre o risco de sair perdendo dinheiro, no caso de seus papéis sofrerem desvalorização.Confira no site da Bovespa (veja link abaixo) a lista das corretoras que negociam ações pela Internet.

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