Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Investidores nos EUA abrem processo contra o Bradesco devido a envolvimento na Operação Zelotes 

A acusação é de que o banco divulgou comunicados 'falsos e enganosos' e omitiu informações que causaram prejuízos aos aplicadores

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2016 | 15h33

NOVA YORK - Investidores nos Estados Unidos abriram uma ação coletiva contra o Bradesco na Corte de Nova York, por conta do envolvimento da instituição nas investigações da Operação Zelotes pela Polícia Federal. A acusação é de que o banco divulgou comunicados "falsos e enganosos" e omitiu informações que causaram prejuízos aos aplicadores, que agora pedem uma indenização pelas perdas.

Além do Bradesco, aparecem como réus no processo o presidente do banco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, e outros dois executivos, incluindo o ex-vice-presidente executivo Júlio de Siqueira Carvalho de Araújo. Investidores interessados em ser o líder do processo, representando todos os demais na Corte, têm até o dia 2 de agosto para se manifestarem.

O processo tem 31 páginas e faz uma série de acusações contra o Bradesco e seus executivos, que incluem a participação em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. "A Polícia Federal do Brasil acusa o Bradesco de tramar para evitar o pagamento de US$ 828 bilhões em impostos para a Receita Federal", afirma o documento, assinado pelo escritório Rosen Law, de Nova York.

Além de divulgar "comunicados falsos e enganosos", os advogados afirmam que o Bradesco falhou em não informar a seus investidores as irregularidades. "Os controles internos do Bradesco sobre os comunicados financeiros e os controles e procedimentos de divulgação não foram eficientes", acusam os advogados.

O argumento dos investidores no processo é que quando a verdade veio à tona, os American Depositary Receipts (ADRs), recibos de ações do banco listados na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), tiveram forte queda. O texto cita a retração de 5,6% do papel no último dia 31, quando a imprensa brasileira noticiou o indiciamento pela Polícia Federal de Trabuco e outros executivos do Bradesco.

Procurado pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o Bradesco informa que "considera prestados os esclarecimentos devidos sobre os episódios recentes. E não entende ter havido oscilações relevantes no preço dos papéis da instituição para justificar a movimentação dos investidores no sentido de uma ação judicial." Em outros comunicados, o banco negou as acusações.

Podem participar da ação coletiva contra o Bradesco investidores que compraram ADR do banco entre 30 de abril de 2012 e 31 de maio de 2016, de acordo com um comunicado do escritório Rosen Law anunciando a abertura do processo.

Na semana passada, vários escritórios dos EUA divulgaram informes a investidores ameaçando processar o Bradesco por conta do envolvimento na Zelotes, que investiga se contribuintes pagaram propina para reverter decisões desfavoráveis dentro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Além do Rosen Law, as firmas de advocacia Lundin Law, de Los Angeles, e Bronstein, Gewirtz & Grossman, de Nova York, também afirmaram estarem investigando a possibilidade de abrir uma ação contra o Bradesco.

Corrupção. Escritórios norte-americanos e investidores têm se aproveitado das investigações de corrupção pela Polícia Federal no Brasil para abrirem processos contra empresas brasileiras com ações e/ou negócios nos EUA. Petrobras, Gerdau, OAS e Braskem estão entre as com ações coletivas abertas recentemente, que também inclui a Vale e a Cnova, a divisão de comércio eletrônico do grupo francês Casino que cuida das lojas virtuais de empresas como Ponto Frio e Casas Bahia.

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