Investidores perdem R$ 180 milhões

Grupo de fundos que incluía o Gávea e o Goldman Sachs detinha desde dezembro 20% das ações

Mariana Barbosa e Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

07 de novembro de 2007 | 00h00

Com o fim das operações da BRA, virou pó o investimento de R$ 180 milhões que um grupo de investidores estrangeiros e mais a Gávea Investimentos, de Armínio Fraga, fizeram na BRA em dezembro do ano passado. Além do fundo da Gávea, o grupo era formado por grandes bancos e fundos de investimentos, como Bank of America, Darby, BBVA, Development Capital, Goldman Sachs, HBK Investments e Millennium Global Investments. Reunidos na empresa Brazil Air Partners, eles compraram 20% do capital da companhia aérea dos irmãos Folegatti - limite máximo para investidores estrangeiros.O diretor da BRA, Danilo Amaral, nega que o dinheiro desembolsado pelos investidores tenha sido usado em vão. Segundo ele, parte dos recursos foi destinada para a amortização de dívidas da BRA e outra parcela para cobrir gastos correntes e investimentos. De acordo com o executivo, as negociações para um novo aporte de dinheiro na BRA poderá contar com uma terceira frente, um fundo de participação em empresas (private equity), que ele garante estar interessado em adquirir uma participação acionária na companhia.Segundo Amaral, a maior preocupação dos acionistas da BRA é o fluxo de caixa, mas que a dificuldade de chegar num consenso entre os investidores é que determinou o pedido de suspensão dos vôos. O diretor afirma que a renúncia de Folegatti da presidência da BRA já não é o maior empecilho para a empresa voltar a voar.O Brazil Air Partners fechou um acordo no dia 22 de outubro para o afastamento de Folegatti. Segundo uma pessoa próxima aos acionistas, ele vai receber indenização por abrir mão da presidência.A BRA tem atrasado o pagamento a fornecedores. Segundo fontes do setor, a BRA também não tem como pagar a encomenda de 40 jatos da Embraer, negócio de US$ 1,4 bilhão firmado em 21 de agosto, em São José dos Campos.Os investidores entraram na BRA apostando que poderiam reforçar a companhia, valorizá-la e vendê-la rapidamente na Bolsa de Valores. Queriam aproveitar o bom momento do mercado de capitais. Na pressa, porém, os investidores fecharam acordo com a BRA sem fazer um estudo detalhado da empresa.Segundo fontes de mercado, a negociação durou algumas semanas - e não meses, como é de praxe. Para se associar à Gol, por exemplo, o fundo de private equity AIG passou um ano analisando a companhia e chegou a enviar pilotos para voar na cabine de comando dos aviões para testar os padrões de segurança.No caso da BRA, o raciocínio foi diferente. Como eram muitos sócios, o risco de cada um foi diluído. ''''Ninguém gosta de perder dinheiro e às vezes você faz apostas erradas'''', admite uma fonte na Gávea. ''''Mas fomos convidados a participar e entramos com menos de 3%. Para o fundo, não afeta em nada.''''COLABOROU SONIA RACY

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.