Investidores processam o Facebook

Irritados com a confusa abertura de capital, acionistas vão à Justiça contra a empresa, bancos e a Nasdaq para recuperar perdas

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE, NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2012 | 03h10

O Facebook, bancos envolvidos em seu IPO (oferta inicial de ações) e a Nasdaq (Bolsa de Valores Eletrônica) passaram a ser alvo de processos judiciais de investidores pelo conturbado processo de abertura de capital da gigantesca rede social na semana passada.

Investidores acusam o Facebook e bancos como o Morgan Stanley, além do JPMorgan e do Goldman Sachs, de terem omitido avaliações sobre os problemas que afetam a rede social, nas quais reduziram as projeções de receita da empresa, às vésperas da abertura de capital. As instituições financeiras também teriam passado informações privilegiadas para alguns de seus clientes.

A Nasdaq será investigada pela série de problemas envolvendo o início da negociação das ações do Facebook na semana passada. Dificuldades no software teriam atrasado por horas ordens de compra e venda de papéis da empresa, provocando perdas milionárias para alguns investidores.

A decisão de abrir processos contra o Facebook ocorre justamente no dia em que as ações da rede social de Mark Zuckerberg conseguiram uma leve recuperação na Bolsa, apesar de ainda operarem abaixo do nível do IPO, quando estabeleceram o preço em US$ 38, e bem distante das previsões otimistas de apenas uma semana atrás. Os papéis fecharam em alta de 3%, valendo US$ 31,94. Nos dois dias anteriores, a empresa acumulava queda de 18%.

Segredo. O processo apresentado por escritórios de direito representando uma série de clientes acusa o Facebook e os bancos de "esconderem uma elevada redução na previsão de receitas para este ano", por causa das dificuldades com a venda de anúncios publicitários em aplicativos usados em celulares e outros aparelhos móveis.

Dias antes do lançamento das ações, o Facebook incluiu um trecho em seus documentos para o IPO dizendo que não gerava "receita relevante" em seus aplicativos para aparelhos móveis. Essa admissão, junto com a decisão da fabricante de automóveis General Motors de retirar seus anúncios da rede social, por falta de retorno para o investimento, geraram ceticismo no mercado.

Mas não se sabia que os próprios bancos envolvidos no processo teriam alertado seus clientes sobre como isso poderia afetar as ações. Ao contrário, eles decidiram elevar o preço de referência dos papéis na abertura de capital.

Os bancos, segundo o advogado Samuel Rudman, que representa os investidores, "souberam no meio do road show da redução de estimativas, e não informaram a todos". E, segundo ele, essa informação era fundamental. Outro advogado, Robert Weisler, disse que a "oferta foi conduzida injustamente e afetou acionistas".

O Facebook, por meio de um porta-voz, disse que a "ação não tem mérito" e que a empresa vai se defender "vigorosamente". Os bancos preferiram não se manifestar sobre o assunto.

Além dos processos, a Securities and Exchange Comission (SEC, equivalente à Comissão de Valores Mobiliários brasileira) e a Comissão Bancária do Senado investigarão todo o processo de abertura de capital do Facebook, que era para ser a celebração da rede social, mas aos poucos se transforma em um pesadelo para o fundador Mark Zuckerberg.

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