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Investidores resgatam R$ 5,8 bilhões de fundos de renda fixa em agosto

Anbima defende reforma na indústria de fundos de investimentos para que modalidade não perca atratividade para poupança ou letras de crédito

Gabriela Forlin, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2013 | 02h15

A taxa básica de juros deve voltar a cair nos próximos anos e, portanto, continuará a trazer desafios para a indústria de fundos, que tem sofrido forte concorrência de outras modalidades de investimentos. De acordo com Carlos Massaru, vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), ainda que o setor tenha apresentado crescimento robusto nos últimos anos, a tendência de médio e longo prazo é que a taxa de juros volte a cair, o que levará a indústria para novas necessidades e novas perspectivas.

Um dos maiores desafios está nas mãos dos gestores dos fundos de renda fixa, que só em agosto contabilizaram resgates de R$ 5,8 bilhões. Esses fundos têm perdido clientes por causa da chamada marcação a preço de mercado dos títulos que compõem a carteira. Como são títulos com juros prefixados, eles perdem quando a Selic sobe, como está acontecendo agora. O investidor, assustado, migrou seus recursos.

Massaru, da Anbima, diz que o desafio de trazer novos investidores é claro e cita como exemplo o fato de a poupança continuar captando fortemente, com números recordes, quando os fundos de curto prazo e DI podem ser alternativas mais interessantes. "Isso nos remete a diversas reflexões", disse Massaru, citando ainda outros instrumentos que ganharam importância no mercado como, Letras Financeiras, Letras de Crédito do Agronegócio e Letras de Crédito Imobiliário.

Os dados da Anbima mostram que em agosto os fundos de renda fixa tiveram rentabilidade de 0,415%. No mesmo período, o CDI variou +0,7% e o Ibovespa +3,68%. Na categoria ações, a modalidade que mais rendeu foi a FMP-FGTS, com alta de 7,53%. No mercado de previdência, o segmento ações foi que gerou maior retorno: 2,93%. Já os multimercados com estratégias específicas ganharam 1,28%.

Na contramão dos fundos de renda fixa, os fundos referenciados DI, captaram R$ 1,38 bilhão e renderam 0,7%. Já os de curto prazo registraram entrada de R$ 782,8 milhões, com variação positiva de 0,7%.

Os fundos cambiais e de investimento no exterior continuam se destacando em termos de rentabilidade. Enquanto a primeira categoria teve ganhos de 4,47% no período, a segunda rendeu 1,43%.

Diante da expectativa de que os juros voltem a cair no médio e longo prazos, Massaru, da Anbima, diz que já no atual cenário o setor precisa passar por uma revisão em sua infraestrutura, que inclui questões regulatórias e tributárias. "É fundamental que a indústria de fundos exerça um papel não somente de fomentadora do mercado de capitais, mas também de ampliar o acesso aos fundos de investimento para um público maior e importante".

'Come cotas'. De acordo com Massaru, entre as principais discussões para essa reforma na indústria, está a questão do come cotas, no âmbito tributário. "Com a taxa de juros no patamar que temos hoje, o come cotas traz impacto importante no resultado final de performance dos fundos, por isso é necessário fazer uma revisão neste assunto", diz ele,

Já no campo regulatório, há uma discussão "bastante importante" com Comissão de Valores Mobiliários (CVM), segundo ele, para rever questões como custos dos fundos de investimento. "Precisamos criar fundos com baixa volatilidade, fundos mais de caixa, e têm de ser com custo mais baixo. Para isso, é necessária uma revisão de estrutura dos fundos, pois alguns não são revistos há uma década", disse.

O executivo destacou ainda que a indústria brasileira de fundos tem experimentado uma história muito positiva, principalmente após a crise de 2008. "Isso não aconteceu à toa, nunca estivemos longe dos riscos que outros mercados enfrentaram. Mas os riscos são melhores suportados quando há regulação e autorregulação adequada e, felizmente, a indústria brasileira conseguiu construir isso com extrema qualidade."

O objetivo agora, de acordo com ele, é criar condições competitivas de igualdade para os fundos em relação a outros instrumentos que apareceram no mercado, trazendo assim os investidores que ainda não vieram para essa indústria, a partir das revisões necessárias no mercado.

Os fundos de investimentos registraram resgates líquidos de R$ 12,9 bilhões em agosto, segundo dados da associação. O resultado foi concentrado em poucos fundos: um Fidc (fundo de investimento em direitos creditórios) e um referenciado DI, ambos do segmento destinado a grandes empresas.

Já os resgates líquidos na categoria renda fixa ocorreram de forma pulverizada, segundo informou a Anbima.

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