Investidores temem que decisão sobre fim do racionamento seja precipitada

Apesar de estarem aliviados com a perspectiva do fim do racionamento de energia no Brasil, cuja data deverá ser decidida numa reunião no próximo dia 19 entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Casa Civil e presidente da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), Pedro Parente, alguns investidores e analistas estrangeiros ainda temem que o passo seja precipitado.Segundo eles, o governo deveria esperar um pouco mais para suspender o racionamento, pois corre o risco de ter que reativá-lo às pressas - com danos políticos graves - caso ocorra uma incidência muito pequena de chuvas nos próximos meses. A superação, mesmo que temporária, da crise energética, é vista como um dos principais fatores que causaram uma melhora da avaliação do país ao longo dos últimos quatro meses. O iminente fim do racionamento, aliado à recuperação do real e ao descolamento da Argentina aliviaram os mercados e retiraram a pressão sobre o ´risco Brasil´.Hoje, durante uma palestra de Parente em Londres promovida pela Câmara Brasileira de Comércio na Grã-Bretanha, alguns analistas expressaram reservadamente as suas preocupações. Um deles, por exemplo, alertou que se parar de chover nas próximas semanas, o racionamento poderá ter que retornar em maio. Outro alertou que reservatórios, cujos níveis despencaram no ano passado, ainda estão sendo recuperados. "Acho que o governo está sendo um pouco precipitado, mesmo levando-se em conta que o racionamento, na prática, já está acabando", disse ele. "Mas poderemos ter surpresas desagradáveis ainda neste ano." Segundo ele, o governo federal está sendo pautado por uma preocupação política diante da perspectiva da eleição presidencial em outubro. "A política inclui o risco, mas acho esse é grande demais", completou.Questionado por jornalistas sobre essas críticas, Parente reafirmou que o governo está tomando uma decisão baseada em critérios técnicos que indicam que até o final do próximo ano os riscos são mínimos. "Mesmo que tenhamos uma situação hidrológica extremamente desfavorável a gente consegue chegar no final do ano que vem", disse Parente. Segundo ele, essa situação ruim seria inferior a 68% da média de chuvas do ano passado. "Em 2001, que foi um ano ruim no Sudeste, nós tivemos 88% de média".O ministro frisou, no entanto, que o governo "tem que trabalhar sempre com uma "perspectiva de risco que é a menor possível". Sobre a possibilidade da necessidade de racionamento em maio próximo, Parente foi taxativo: "Este ano em maio? Eu peço demissão se isso acontecer."

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