Investidores tendem a não aceitar oferta da Sadia

Principal acionista da Perdigão, o fundo de pensão Previ não se pronunciou hoje sobre a oferta da Sadia para compra das ações da empresa. O presidente da Previ, Sérgio Rosa, disse que somente amanhã a direção do fundo terá condições de se pronunciar sobre a proposta. Rosa confirmou, porém, que foi realmente uma oferta hostil. "Não fomos procurados previamente para nenhum tipo de negociação", afirmou.Ele não quis comentar o valor da oferta, dizendo que a proposta está sendo avaliada pela equipe técnica da Previ. O fundo detém 15,31% de participação no capital total da Perdigão, sendo um dos principais acionistas isolados do grupo. A Previ também detém ações da Sadia, onde é minoritária, com cerca de 7% do capital total.Já a Fundação Real Grandeza, dos funcionários de Furnas, está inclinada a não aceitar a oferta da Sadia para comprar a Perdigão "a este preço", disse o presidente do fundo de pensão, Sérgio Wilson Ferraz Fontes, à Agência Estado. Ele observou que houve uma teleconferência na manhã de hoje com dirigentes da Perdigão e dos sete fundos de pensão que fazem parte do bloco de controle - Previ (do Banco do Brasil), Petros (Petrobras), Fapes (BNDES), Valia (Vale do Rio Doce), Real Grandeza e Previ-Banerj. "Me parece que a impressão de que o preço é baixo foi unânime", afirmou Ferraz Fontes, referindo-se aos demais fundos.A Fundação Petros, fundo de pensão dos empregados da Petrobras, também não vai se pronunciar hoje sobre a oferta de compra da Perdigão feita pela Sadia. A Petros tem 11,63% do capital da Perdigão, segunda maior participação individual na empresa. A Petros dve se posicionar sobre o assunto em conjunto com os demais fundos.OfertaA Sadia quer comprar 100% das ações da Perdigão por R$ 3,7 bilhões e tornar-se um grande competidor mundial na produção de carnes e suínos industrializados. O objetivo é enfrentar gigantes do setor, como a americana Tyson Foods, que fatura US$ 26 bilhões e ameaça chegar ao Brasil.Hoje a empresa faz uma oferta pública de mercado para adquirir no mínimo 50% mais uma das ações da Perdigão. É a primeira vez no mercado brasileiro que uma companhia faz uma oferta pública por outra.A Sadia está disposta a pagar R$ 27,88 por ação, o que representa um prêmio de 35% sobre a média dos preços dos papéis da Perdigão nos últimos 30 dias, conforme a regra acertada com a entrada da empresa no Novo Mercado Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A maior parte dos recursos (R$ 2,7 bilhões) virá de um empréstimo do banco ABN Amro. A Sadia tem mais R$ 1 bilhão em caixa para usar na proposta.O prazo máximo para que os acionistas da Perdigão dêem sinal verde à transação é 24 de outubro. Se o negócio se confirmar, nascerá uma gigante do setor de aves e suínos, com receitas líquidas de R$ 12 bilhões, 26 fábricas, 81 mil funcionários e 16 mil produtores integrados. Metade do faturamento da nova companhia virá das exportações. Atualmente, tanto Sadia como Perdigão exportam para cerca de cem países.Preço deve ser limitadorO presidente da Perdigão, Nildemar Secches, disse que o preço ofertado pela Sadia para a compra da empresa é "extremamente baixo" frente a diversos preços-alvo (valor estimado para o preço do papel, com base nas condições de mercado e nas características da empresa) calculados por instituições financeiras. A média desse valores fica em aproximadamente R$ 35,00, contra os R$ 27,88 oferecidos. "Sabemos que a ação estava subavaliada na Bolsa, mesmo assim o valor ficou um pouco aquém das expectativas", disse.Secches afirmou que o departamento jurídico da Perdigão irá analisar agora a necessidade ou não de a empresa solicitar um laudo de avaliação a alguma instituição financeira para confrontar os valores. Em caso positivo, o conselho escolheria um banco para realizar o estudo, dentre três instituições sugeridas. Isso pode ocorrer já no próximo encontro do conselho, que acontece em 27 de julho. "Temos menos de 10 horas de horário comercial dessa informação. Ainda não sabemos quais são as medidas."Segundo Secches, o acordo de voto entre os fundos de pensão, que respondem por 49,5% do capital da Perdigão, não impede a eventual transação. Pelo acordo, os fundos se comprometem a votar juntos nas assembléias por um prazo de cinco anos. O objetivo é garantir o quórum e evitar a paralisação das decisões da empresa.

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