Investidores vêem dores, mas também esperança em 2009

Muitos investidores disseram nesta quarta-feira um sonoro "já vai tarde!" para um dos piores anos na história para os mercados e reforçaram a torcida para que os pacotes governamentais de ajuda sejam capazes de retirar a economia global do forte processo de desaceleração ao longo do próximo ano. Muitos dias de tormenta ainda são esperados no curto prazo, à medida em que os relatórios econômicos desanimadores continuam aparecendo, indicando mais falências, débitos ruins e corte de empregos até, no mínimo, o início de 2009. O cenário também promete muitas noites em claro para todos, de diretores de bancos centrais a consumidores que lutam para pagar suas hipotecas e contas de cartão de crédito. A maior crise financeira em 80 anos, disparada por problemas no setor imobiliário dos Estados Unidos, fez com que o ano de 2008 fosse um dos piores já vistos para investidores, à medida em que a recessão aproxima-se silenciosamente da economia global. "Foi um ano péssimo, praticamente nada foi poupado no massacre", afirmou Michael Heffernan, conselheiro-sênior e estrategista da Austock Group, na Austrália. O tombo apagou praticamente 14 trilhões de dólares em valor de mercado, de acordo com o índice MSCI de grandes companhias. Para todos os mercados, o dano foi, provavelmente, muito maior. A Federação Mundial de bolsas de valores, que acompanha os mercados acionários de 53 países, entre desenvolvidos e emergentes, disse que aproximadamente 30 trilhões de dólares em valor de mercado evaporaram até o fim de novembro. A crise também mudou radicalmente o cenário financeiro, derrubando os bancos de investimento norte-americanos Bear Stearns e Lehman Brothers, sobrecarregando muitos outros bancos com grandes perdas e congelando o sistema de crédito. O índice S&P 500 perdeu cerca de 40 por cento faltando apenas um pregão para o encerramento do ano. A maior queda anual do indicador foi em 1931, durante a Grande Depressão, quando o índice amargou uma perda de 47,1 por cento. ESPERANÇA Com os bancos centrais cortando juros para tentar atiçar o crescimento econômico e governos jogando dinheiro dentro do sistema, alguns investidores apostam em um cenário mais otimista para 2009. "Acho que vamos seguir um pouco no novo ano e depois estabilizar por um período. Formuladores de política no mundo estão fazendo o máximo para garantir que a recessão não desemboque em um mal-estar deflacionário", afirmou Mike Lenhoff, estrategista-chefe da Brewin Dolphin. Os governos ao redor do mundo injetaram mais de 1 trilhão de dólares em suas economias, e mais ajuda é esperada em 2009, já que os líderes lutam para evitar uma recessão ainda maior.

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